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Notícias da casa  

Carolina Riguengo

House organ é o nome que se dá ao veículo de comunicação que circula dentro de empresas e entidades. Ele serve de porta-voz entre funcionário e patrão. Neles são divulgados eventos e fatos internos.

Nos últimos tempos, as empresas têm investido em mais de um house organ, para atingirem públicos distintos. O que é algo bastante pertinente já que se pretende falar para acionistas, clientes, executivos, fornecedores. Um house organ do tipo "Bombril - mil e uma utilidades", não surte o mesmo efeito.

Com a tecnologia avançada é possível encontrar nas intranet boletins eletrônicos e interativos. Outras opções são os newsletters: veículos de informação mais rápidos, com público-alvo mais definido e que procura mais informações sobre negócios, mercado ou processos de gestão.

Geralmente médias e grandes empresas possuem um house organ. No caso da empresa Teka, especializada no setor têxtil, a Assessoria de Comunicação formou o Conselho Editorial. Dois funcionários - um do departamento de Recursos Humanos, e outro do Controle de Qualidade - e mais quatro da matriz foram selecionados, sendo que nenhum dos membros do conselho é coordenador, supervisor ou gerente da empresa.

A assessoria treinou os funcionários explicando como o Conselho deveria ser conduzido. Isso criou as condições para dar sustentabilidade ao veículo. As pautas, que tipo de notícia seria dada, qual a função, como seriam as fotos e outros detalhes eram assuntos discutidos.

Tecendo relações

Para a Teka, a principal função do veículo é informar sobre os acontecimentos da empresa, tanto direcionada ao público interno - como, por exemplo, dia do trabalho, campeonatos de futebol, semanas educativas, festa da criança, etc. - e público externo - como ações de responsabilidade social, participação em feiras, e outros. E assuntos específicos da empresa também, como prêmios, investimentos e produtos.

Um destaque histórico foi no mês em que a Teka completou 75 anos. Um jornal especial foi feito. Nele, cinco funcionários mais antigos da empresa prestaram depoimento relatando fatos que marcaram suas vidas. Todos com mais de 30 anos de empresa. No mês seguinte foi feita outra edição especial mostrando como foram as comemorações em outras unidades e escritórios comerciais.

A visão da importância de tal veículo de comunicação empresarial teve início em 1970. Para formar um house organ foi realizada uma pesquisa em duas etapas: os dados sobre os parâmetros básicos obtidos a partir da aplicação de questionário junto a editores de house organ vinculados de outras empresas, o que significava que algumas empresas participavam na pesquisa com mais de um veículo. A segunda etapa foi a análise dos temas escolhidos de maneira aleatória e divididas em três categorias: boletins, jornais e revistas, tendo de início como público-alvo os funcionários da empresa. 

Somente em 1990 um número relevante de house organs começou a circular e evoluir tendo temas mais modernos como qualidade de vida, cidadania e responsabilidade social. A produção visual também foi melhorando bem como a gestão de conhecimento, imagem e marca mostrando o crescimento da importância da comunicação interna nas organizações. A maioria circula mensalmente e tem tiragem inferior a 5000 exemplares.

O departamento de comunicação é responsável pela edição de house organs, mas eles são aprovados por outros setores da empresa. Alguns são produzidos por terceiros, como assessorias e agências externas. Isso reflete a tendência atual de diminuição dos quadros de comunicação das empresas. Algo que tem acontecido muito com a crise que a imprensa sofre atualmente.

De fato, a conclusão doa assunto é um pouco mais complexa. Ao passo que este tipo de assessoria tem crescido, e ao mesmo tempo diminuído no número de profissionais envolvidos, a tendência deve ser a de uma melhor especialização do material produzido. A comunicação na era informacional é uma vertente importante, principalmente quando a comunicação empresarial se desenvolveu tanto quanto na última década.

A comunicação entre empregados e empregadores, quando a maior necessidade deste século é a de relacionamento, parece estar em constante expansão. Assessorias de imprensa, relações públicas e, é claro, house organs, são ferramentas fundamentais para o desenvolvimento empresarial que relacione interesses comuns e promova integração entre grupos distintos como patrão e funcionário. No final ambos sabem que trabalham no mesmo time, só precisam se lembrar e ser lembrados disso.