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Bam-bam-bam da educação

Vanessa Candia

A TV Cultura sempre teve um diferencial muito grande em sua programação. A preocupação em transmitir conteúdos que possam acrescentar alguma cultura nos telespectadores. Essa diferença é notada principalmente em seus programas infantis. 

Ao contrário de super-heróis e apresentadoras - um tanto fúteis -, sempre investiram em programas educativos. Mesmo porque audiência nunca foi preocupação da emissora. 

Programas como Bambalalão, Rá-Tim-Bum, X-Tudo, Cocoricó, Doug, Mundo de Beakman, Mundo da Lua e muitos outros estiveram presentes na vida dos pais e hoje fazem parte da vida dos filhos. Seguindo a mesma linhagem, nunca deixaram de fazer sucesso, sem apelar para "superpoderes".

Um dos programas que marcou época foi o Bambalalão (1979-1991). Dirigido por Gigi (Regina Anheli) bonecos e palhaços falavam sobre o cotidiano das crianças, seus sonhos, histórias clássicas e música. Devido ao sucesso, a emissora contratou uma equipe pedagógica para que o programa tivesse uma assistência adicional. Tudo era feito visando a educação das crianças.

O reconhecimento veio com as premiações do ano de 1982, 84, 85, 86 e 87 como melhor programa infantil pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Enfim, mesmo com tantos prêmios, Bambalalão saiu do ar inexplicavelmente, deixando muitas saudades.

No entanto, vieram substitutos - quase à altura -, como o Rá-Tim-Bum. Uma miscigenação de estórias infantis com brincadeiras que ensinavam desde de contar, diferenciar figuras geométricas, cores, higiene pessoal e etc. O mais interessante era um bloco que uma artista contava uma estória utilizando materiais comuns. Por exemplo, pra imitar um cavalo... casca de coco. Pra fazer barulho de incêndio... papel celofane. Isso despertava, e muito, a criatividade da criança. 

Outros programas como X-Tudo e Cocoricó seguiam o mesmo padrão. X-Tudo era apresentado por Gérson de Abreu, grande figura do cenário infantil - principalmente da Cultura - também foi indicado como melhor programa infantil de 1993. Outro que entrou para galeria de premiações infantis da emissora foi Cocoricó que ganhou o I Festival Prix Jeunesse Iberoamericano de melhor programa infantil. 

Não podemos esquecer dos sonhadores Doug e Mundo da Lua. Dois exemplos típicos da fase sonhadora e de imaginação "fértil" da criança. Mundo da Lua, principalmente encena a criatividade que uma criança tem para se divertir mesmo quando sozinha.

Para fechar a grade de programação - ou quem sabe até escolar -, o fantástico e louco Mundo de Beakman. Um cientista louco que com sua esperta assistente e um ratão meio... burrinho e desconfiado, ensinam conceitos de física, matemática, química e biologia de forma descontraída e fácil quebrando um pouco daquele terror causado por essas matérias na sala de aula.

Mas como tudo evoluiu, os programas também evoluíram. O Castelo Rá-Tim-Bum, tremendo sucesso, foi como um deslocamento do antigo Rá-Tim-Bum, para dentro do castelo e com um toque de contos de fada. As brincadeiras pedagógicas continuaram as mesmas.

O diferencial era as histórias contadas pela "bruxa boazinha", Morgana. Cada episódio ela contava historias do Brasil, que segundo a bruxa e devido a sua avançada "vivência" teria presenciado. O programa fez tanto sucesso que ganhou as telonas em 1999, com direção de Cao Hamburger. Mas infelizmente o mesmo padrão não foi mantido na Ilha Rá-Tim-Bum, que fugiu totalmente da linha pedagógica partindo para uma linha estilo... Harry Potter. 

De modo geral, a marca registrada dos programas infantis da TV Cultura é ensinar de maneira divertida e agradável coisas cotidianas da vida de uma criança. Algo que vem fazendo muito bem. E, pensando bem, com grande heroísmo. Quem diria!

                   



criação: lisandro staut