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Na
terra do pirlimpimpim
Loriza Kettle
Marmelada de banana,
Bananada de goiaba,
Goiabada de marmelo,
Sítio do Pica-pau Amarelo.
Boneca de pano é gente,
Sabugo de milho é gente,
O sol nascente é tão belo,
Sítio do Pica-pau Amarelo.
Parece realmente mágico o encantamento e o fascínio que as aventuras de Pedrinho e Narizinho têm entre as crianças há mais de cinco décadas. Quem assiste aos episódios do
Sítio do Pica-pau Amarelo hoje, repleto de recursos tecnológicos, não imagina que o programa começou a ser exibido em 1952, em preto e branco, na TV Tupi.
A primeira versão, dirigida pela crítica literária Tatiana Belinky e pelo psicólogo Júlio Gouveia, produziu um total de 300 episódios que, infelizmente, não foram registrados pelo fato do programa ser feito ao vivo. Depois do episódio "A pílula falante", a TV Tupi passou a exibir o programa duas vezes na semana, permanecendo no ar até 1963.
Em 1967, o programa foi transmitido pela TV Bandeirantes durante um ano e dois meses. Já em 1977, a TVE, o MEC e a Rede Globo assinaram o projeto de produzir novamente o
Sítio. No início, o programa foi idealizado com apenas uma semana de duração, mas o diretor-geral da Rede Globo, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, pediu que o programa continuasse. Acabou por durar nove anos.
Escrita por Wilson Rocha, Benedito Ruy Barbosa, Marcos Rey e Sylvan Paezzo, os episódios eram supervisionados por uma equipe de psicólogos e pedagogos. A proposta do programa era seguir o estilo de Monteiro Lobato, ou seja, ensinar por meio da narração de histórias. As histórias tinham também a preocupação de educar por meio da fantasia usando como pano de fundo o nosso folclore e levando cultura às crianças.
Lendas, fadas e bruxas misturadas com muita fantasia eram apenas alguns dos ingredientes. Um sítio de verdade foi construído com o objetivo de criar a imagem brasileira que Monteiro Lobato sempre valorizou em seus livros. Localizado na Barra de Guaratiba, geralmente o
Sítio mostrava três ambientes: a casa de dona Benta, a casa dos empregados e a floresta, onde morava a temida Cuca. A terceira versão durou de 1977 a 1986, totalizando 1.436 capítulos. Rendeu, em 1979, um prêmio pela Unesco, como melhor programa infantil do ano.
Alterações
Os personagens que mais sofreram alterações foram Narizinho e Pedrinho, e todas as vezes pelo mesmo motivo: seus intérpretes ficavam grandes demais para os papéis. Para se ter uma idéia, durante os nove anos de exibição da terceira versão, Pedrinho mudou três vezes e Narizinho quatro. Rosana Garcia e Júlio César foram os intérpretes que mais marcaram os personagens.
Em julho de 2000 um contrato da Rede Globo foi assinado com os herdeiros de Monteiro Lobato, por dez anos. O programa estreou em 12 de outubro de 2001, e logo na primeira temporada as histórias de Monteiro Lobato se esgotaram. Assim, o autor Walcyr Carrasco deu início a um novo período da série escrevendo novas histórias.
Bem diferente dos remotos episódios da década de 70 e 80, o atual Sítio é
repleto de recursos tecnológicos. Computador, microondas e celulares fazem parte da nova realidade do programa, com animações em 3D e computação gráfica. O perfil dos personagens também mudou. O menino Pedrinho (César Cardadeiro) não brinca mais com estilingue e sim, com um
gameboy.
Novos personagens também chegaram, como o menino bruxo Peninha (Henrique Ramiro), o guardião de Narizinho contra o feiticeiro, Xis Parmesan (Antônio Calloni), e a bruxa Morgana (Elizabeth Savalla). Parece que a única coisa que não mudou foi o cenário da produção; o programa continua sendo filmado em Guaratiba.
Talvez o fato mais polêmico na nova versão do Sítio seja o fato da boneca Emília ser interpretada por uma criança. Isabelle Drummond, uma menina de 7 anos, tem a rotina de uma moça de 20. Muitos não acreditavam que Isabelle daria conta do papel, que foi feito por quatro atrizes adultas nas versões anteriores.
A escritora Tatiana Belinky, hoje com 83 anos, diz que uma criança não dá conta da complexidade da personagem. "A Emília de Lobato é muito forte. A atual intérprete parece uma menina brincando de Emília", afirma ela em declaração à revista IstoÉ (1.º/3/02). Tatiana diz que a pioneira Lúcia Lambertini foi a melhor intérprete da boneca falante.
O programa faz parte do núcleo de Roberto Talma, e foi do diretor a idéia de chamar Isabelle para fazer o papel, pois acreditava no potencial da garota. E parece mesmo que Isabelle não decepcionou na telinha. Prova disso são as irmãs Carol Macedo, Camila Macedo, de 5 e 7anos e a amiga Janete Kong, 7: "A Emília é a mais legal do sítio!", afirmam em coro.
Mundo irreal
Apesar da proposta educativa do programa, a Globo não poderia deixar passar a oportunidade de lucrar com o sucesso do
Sítio do Pica-pau Amarelo. A emissora assinou um contrato com a ML Licenciamentos, empresa da família de Lobato. Desde junho desse ano, o mercado comporta cerca de 250 produtos diferentes, entre bonecos, jogos, material escolar, etc. Alguém duvida que esses produtos vão vender?
É evidente a influência do programa sobre as crianças. Suas histórias repletas de fantasia proporcionam um mundo de imaginação, em que tudo é possível. É interessante notar também que, mesmo sendo um programa aparentemente inocente, ele transmite algumas ideologias.
A idéia de que basta "fazer de conta" para que tudo aconteça, dá à criança a impressão de que ela também pode trazer essa fantasia para o mundo real. Mas misturar realidade e fantasia não deixa, apesar de tudo, de ter os seus pontos fortes. Isso proporciona à criança uma imaginação fértil, que incentiva a criatividade. O único cuidado é não deixar que a fantasia faça o infante fugir da realidade, vivendo num mundo ilusório.
No mais, vamos continuar cantando as últimas estrofes da música de Gilberto Gil que celebrou o
Sítio do Pica-pau Amarelo.
Rios de prata, pirata,
Vôo Sideral da mata,
Universo paralelo,
Sítio do Pica-pau Amarelo.
No país da fantasia,
Num estado de euforia,
Cidade Polichinelo,
Sítio do Pica-pau Amarelo.

criação: lisandro staut |
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