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O
poder das teleloiras
Lísye Rizziolli
Pode-se dizer que a melanina foi em menor quantidade. Agora a capacidade de mostrar a ideologia requerida - pelo menos nos meios - foi numa quantidade bem proveitosa por todo esse tempo.
Para entender a invasão das loiras como apresentadoras infantis, um pouco de história tem que ser dita também. Um conto de fadas e anjinhos, em que o imaginário tem asas tão grandes para criar ideologias errôneas em mentes infantis.
Quando a mãe coloca a criança para dormir conta historinhas mais ou menos assim: "Era uma vez uma menininha de lindos cachinhos dourados pelo sol, pele bem clarinha e olhos azuis como o céu...". Neste contexto muitos paradigmas são criados. O primeiro deles é a visão errônea de que o claro é sempre melhor. Sendo assim, os pequenos acabam aceitando mais tarde tudo o que vêm das apresentadoras loiras.
Nos países nórdicos, os loiros prevalecem. Nos Estados Unidos as mulheres são, em geral, loiríssimas. A supervalorização do modelo estético europeu misturado com o modelo americano acabou prevalecendo. As loiras - ou a água oxigenada - passaram a ser um ícone de pureza para as crianças.
Os programas realizados por essa classe loira "tão seleta", como Xuxa, Angélica, Jaqueline, Eliana e Mariane, tendem a piorar cada vez mais. Mesmo assim, os pais acabaram adquirindo ao longo do tempo uma certa confiança nas "babás" imperfeitas. O tempo passou e o modelo continua o mesmo. Os assuntos são repetitivos e fantasiados por um modelo quase que maternal. Mas o que acontece são insinuações sexuais disfarçadas e alienações de todos os tipos.
Mara Maravilha foi a única apresentadora infantil morena expressiva da última geração. Mesmo assim, a falta de conteúdo é a mesma das amigas oxigenadas.
Lamentavelmente o mundo da imaginação vivido pelas crianças esquece o lúdico e passa a acreditar no imoral vivido pelas teleloiras.

criação: lisandro staut |
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