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Prosperidade comprometida

Ketielly Bahia

Esperava-se que a crise financeira que assola o Brasil atingisse também a imprensa - talvez por que esta faz parte de um setor em que existe uma grande movimentação de capital. Falando de mídia e movimento capital, nada mais sugestivo do que citar a grande líder brasileira, as Organizações Globo.

Pare um pouco pra pensar. Se existe uma crise na imprensa e a Globo faz parte da grande imprensa brasileira é de concluir que a Globo também passa por crises. Não é de agora que os comentários da depressão financeira na emissora circulam dentro e fora de suas empresas. Desde 2000, o assunto ficou mais freqüente na mídia e as pessoas passaram a ter conhecimento do que andava ocorrendo nos bastidores da administração financeira do grupo.

Entre os anos de 2000 e 2001, as contas globais começaram despencar, iniciando pelas receitas líquidas, que caíram cerca de 12%. Em 2001, devido a perdas financeiras e a problemas no mercado publicitário o grupo teve um prejuízo de cerca de 550 milhões de dólares. Neste mesmo ano, a empresa informou demissões no seu quadro de funcionários da Rede Globo, mais precisamente na Globocabo. Exonerações justificadas como sendo parte de um processo de reformulação na administração.

Nos anos seguintes, a crise continuou. Um balanço divulgado pela própria Globo, em março de 2002, declarou que as Organizações Globo possuíam uma dívida de mais de dois bilhões e meio, sendo 84% desde total em moedas estrangeira. Outros problemas contribuíram para agravar a crise no grupo, como foi o caso da NET, TV a cabo, e da TV Globo, que registrou queda de receita.

Somados, os prejuízos aproximaram-se dos cinco bilhões de reais. Outro fato que rendeu muita notícia foi o comunicado da Globo Comunicações e Participações, a Globopar, sobre a suspensão do pagamento da dívida externa do grupo, tendo como justificativa o estudo de seus negócios.

Algumas atitudes foram tomadas pela administração financeira e pelo então presidente e dono da casa, Roberto Marinho, na tentativa de se reverter o quadro. Com a finalidade de ajudar financeiramente algumas empresas do grupo, os Marinho se desfizeram de algumas de suas empresas, ações e emissoras. 

Ainda em 2002, o grupo previa entrada de capital por meio de uma nova empresa que seria criada, a Globo S.A., que abrangeria todo o grupo e seria o braço forte das Organizações Globo. Mas o projeto que contava com apoio de sócios estrangeiros acabou não dando certo.

Com a morte de Roberto Marinho, alguns analistas do mercado e estudiosos no assunto talvez cheguem a pensar que a crise financeira se agravará ainda mais. Vale lembrar que o império herdado pelo três filhos de Roberto continua sendo o grande líder no mercado, principalmente a Rede Globo de Televisão, carro-chefe do grupo - embora esta também reme contra a maré da crise financeira.

                   



criação: lisandro staut