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Jornalismo montanha-russa

Marcelo Viana

Desde sua fundação, a rede de televisão comandada por Silvio Santos não conseguiu mostrar uma consistência no que se refere à produção jornalística. O incessante vai-vêm das produções do SBT caracteriza uma emissora fraca na manutenção do jornalismo. Ao lançar os olhos na história desta rede, podemos reconhecer pontos fortes e fracos. Na maioria das vezes, a política do "bom e barato" mostrou ser uma "economia na base da porcaria".

A partir dos anos 90, o SBT começou a ver os lucros de seu trabalho, que até então só trouxera prejuízos. Novos telejornais causaram impacto no cenário jornalístico da sociedade. Boris Casoy, com seu jornalismo nos moldes americanos de liberdade de expressão opinativa, chegou para comandar o TJ Brasil e marcou a imprensa nacional. Em 1991 foi lançado o telejornal sensacionalista Aqui Agora que, por alguns anos, foi um grande sucesso de audiência. Sua filosofia de mostrar "a vida como ela é" agradou a população.

A estada de Boris Casoy no SBT durou até 1997 e rendeu à emissora o status de possuir um jornalismo eficiente e de qualidade. Infelizmente da mesma forma que a emissora cresceu com sua chegada, a saída do apresentador pontuou o início do declínio. A crise foi aumentando. Medidas drásticas foram tomadas como a demissão de vários repórteres e cancelamento de alguns telejornais. Este ano, 28 jornalistas foram demitidos da rede.

Apesar disso, em entrevista ao Canal, Raimundo Lima, editor-executivo do departamento de jornalismo do SBT, diz que a situação da emissora é boa. O departamento está lançando a 1.ª edição do Jornal do SBT.

Lima comenta que as produções jornalísticas da emissora nunca pararam. Segundo ele, nos últimos anos, os telejornais estiveram na grade da emissora sem interrupções. Salvo um período que precisaram ocorrer mudanças na programação e, conseqüentemente, nos noticiários.

Questionado sobre a prioridade da emissora para os programas de auditório e novelas em relação ao jornalismo - com uma parcela de desigualdade gritante - Lima responde que o jornalismo é tão importante quanto os demais programas da emissora.

Jornalismo insinuante

O problema maior não é nem a ausência de jornalismo, mas a qualidade do que o SBT apresenta. Tome-se como exemplo a 1ª edição do Jornal do SBT, das 19h30 às 20h, sob apresentação de Denise Campos de Toledo, Cynthia Benini, Analice Nicolau e José Nêumane Pinto. O jornal apresenta média de sete pontos contra 39 da rede Globo. Parece ser insignificante, mas para a realidade da emissora é um bom número.

O jornal mal começou e já está causando polêmica. A crise de audiência levou a emissora a apostar no sensacionalismo e na insinuação erótica até no jornalismo. Porém, nesta situação de crise, a qualidade do jornalismo nos faz pensar em vários aspectos intrigantes. O que choca mais é a falta de profissionalismo das apresentadoras que se preocupam em mostram suas pernas ou o péssimo conteúdo que muitas vezes é exibido pelos recatados apresentadores do Jornal Nacional?

Não é possível fazer uma previsão para o futuro do jornalismo no SBT. O capital continua ditando a qualidade do conteúdo que será exposto na vitrine televisiva, bem como o quadro de jornalistas na emissora. Manter uma realidade assim parece insustentável.

O que se pode prever é a continuação do vai-vem das produções jornalísticas. Com o tempo, o Jornal do SBT pode melhorar e se tornar uma boa alternativa frente aos outros telejornais existentes no horário. Olhando novamente para a história do SBT, é possível enxergar que, apesar das dificuldades, a emissora conseguiu mostrar muitas vezes um jornalismo dinâmico e inovador, mas também sensacionalista e pouco qualificado. Em todas estas situações nota-se que uma parcela da população sempre esteve garantindo pontos de audiência.

O atual caso de escândalo gerado pelo apresentador Gugu Liberato e seu programa Domingo Legal mostra que enquanto o SBT não parar de investir verba em programas que ferem valores como a decência e a moral, o jornalismo permanecerá instável. Ou na pior das hipóteses, continuará somente para manter as exigências legislativas.

                                        



criação: lisandro staut