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De
portas fechadas
Leandro Oliveira
A Cable News Network (CNN) surgiu em 1980, com o objetivo de veicular notícias 24 horas por dia, sete dias por semana, enfim, o ano todo. O idealizador do projeto, Ted Turner, não mediu esforços para estruturar seu investimento. Fazer jornalismo gera custos, principalmente quando ele é
all news e distribuído para o mundo.
Investindo muito pouco no mercado de comunicação brasileiro, a CNN fechou seu único canal de comunicação em português. Os internautas que navegam em busca de notícias por meio das agências internacionais sentiram falta da página online da empresa americana. A crise após a guerra do Iraque desencadeou uma série de baixas no quadro de funcionários e o fechamento de outras, entre elas, a página com conteúdo em português. Sem opção, os internautas são redirecionados para o serviço da CNN Internacional ou Espanhol.
Mas a crise ronda a CNN muito antes dos artefatos de George W. Bush atacarem o palácio de Saddam Hussein. As razões para desativar os serviços prestados em português não são conhecidos, muito menos revelados. Ao observar algumas direções tomadas pela empresa de algum tempo para cá, nota-se alguns pontos interessantes. Entre eles, o arrojado investimento na cobertura de guerras.
A emissora se tornou conhecida pelo mundo em 1991, quando estourou a Guerra do Golfo. Até então, ela era nacional. Para a cobertura do Golfo, a CNN investiu numa equipe de repórteres, apresentadores e âncoras com experiência e qualidade, além do aparelhato técnico, com a aquisição de grande quantidade de matérias para não perder um minuto sequer dos acontecimentos. Todo este investimento fez com que o mundo inteiro assistisse a Guerra do Golfo. Todos os canais mostravam as inéditas imagens repassadas pela CNN. Um espetáculo transmitido ao vivo.
No período pós-guerra do Golfo, a empresa vive um período de baixa, com constantes erros e coberturas sensacionalistas. Entrou no descrédito popular o que a levou a perder grande parte de seus anunciantes.
Sem dinheiro não se faz grandes produções. Com isso, a repercussão imediata dá-se rapidamente nas sucursais de pouco retorno financeiro.
Tendenciosidade e sensacionalismo
Depois da ascensão de George W. Bush ao poder político, a empresa apresenta constantes e fortes dores de cabeça. O querer "ser" dono do mundo do republicano está custando um preço alto para CNN. A exclusividade na guerra contra o terrorismo nas invasões ao Afeganistão e Iraque deixou a estrutura da Agência Internacional abalada.
O furo tão esperado - que não aconteceu, pois a Rede Portuguesa de Televisão (RTP), saiu na frente - fez com que a CNN apelasse para uma audiência por meio do sensacionalismo. Com isso, sua imparcialidade ficou comprometida, sua posição na cobertura dos fatos do terrorismo evidenciou uma tendência aos interesses americanos.
Quando se fala em crise, a preocupação aumenta e as atenções para o possível foco do problema fica maior. Ao passar, a avalanche da depressão financeira não traz consigo piedade. Leva a todos pequenos e grandes, fracos e fortes, desconhecidos e conhecidos.
Não reconhecer o momento de crise que ronda a mídia é estar numa outra órbita, menos a terrestre. Para os apreciadores do mundo encantado da comunicação, onde tudo é conhecido como fácil e bonito, sinal de alerta! A crise também já chegou para eles.

criação: lisandro staut |
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