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Jornalismo
R$ 1,99
Danielson Roaly
O nascimento da televisão desencadeou uma crise tremenda nos meios de produção radiofônicos. Todos se perguntavam o que ocorreria, afinal, com o rádio. Os mais afoitos logo decretaram o seu fim. Sobrevivendo à crise, devido a algumas mentes pensantes, este se adaptou às novas realidades. Introduziu-se nos carros, foi levado para outras partes da casa, tornou-se portátil. O rádio, enfim, ganhou seu espaço.
Esta não foi à primeira nem a última crise nos meios de comunicação. A do momento, deve-se à internet. O jornalismo online desencadeou uma grande crise nos meios jornalísticos tradicionais. Muitos decretaram o fim dos impressos. Alguns ficaram com medo de perder o emprego e dos salários diminuírem. Outros ainda reconheceram a necessidade de mudanças efetivas e práticas dentro da profissão.
O tradicional jornalismo gráfico foi obrigado a ceder espaço das matérias informativas e consistentes para os atrativos visuais e a linguagem jornalística instantânea.
Os riscos são muito grandes, pois pode banalizar a profissão.
A internet exigiu maior agilidade e desenvolvimento de novas habilidades. Os meios de produção, a linguagem e a dinâmica foram alterados. Toda a profissão se transformou para se adaptar ao novo ambiente. Em parte, a crise foi vista como uma oportunidade de repensar a profissão.
Com isso, o custo da posse da informação, se compara as lojas de R$ 1,99, em que mais barato é divulgado. Todos podem se arriscar a fazer jornalismo, mas a conseqüência será o fornecimento de informações muitas vezes não confiáveis e sem compromisso nenhum com a ética.
Muito e nada
No aspecto prático, o jornalismo online se divide em três grupos. O primeiro grupo é o de um jornalismo antiético, que optou pelo sensacionalismo. As notícias se tornaram um produto superabundante, perdendo valor e validade a cada segundo e obrigando uma constante atualização.
Muitos que seguem esta linha têm como costume redigir as matérias antes mesmo de seus acontecimentos. Eles deixam sempre duas versões prontas, para que, independente do que ocorra, sejam o primeiro a dar a notícia. Outros, simplesmente, assinam como seus os
releases de assessorias de imprensa.
O segundo tipo é o que apenas reproduz a notícia. Hoje o maior número de sites jornalísticos pertencem às mesmas empresas que detém o jornalismo impresso. Para atualizarem as informações incessantemente, apelam para as redes de notícias.
A idéia e boa, pois mantém o padrão ético adotado nos impressos. Mas com a nova tecnologia é preciso trabalhar de maneira mais profissional, buscando inovações e não simplesmente uma repetição do antigo. Seria um desperdício reduzir a internet a um simples canal de distribuição.
O terceiro tipo é o jornalismo hipermidiático. É a notícia em tempo real descartando a necessidade de intermediação do jornalista. Utilizam-se apenas flashes curtos com poucas palavras. São escassos os sites que possuem esta estrutura, que ainda possui muitos problemas a serem resolvidos.
Essa espécie de jornalismo torna impossível selecionar, entre tantas informações, as relevantes e verdadeiras. A agilidade conquistada vem a ser um fator contra o interesse do leitor pela boa informação, impedindo a análise e a interpretação dos fatos e empobrecendo a contextualização das notícias. O risco de importar-se apenas com a divulgação do maior número possível de notícias diárias é muito grande.
O público ainda não possui o hábito de consumir as informações transmitidas dessa maneira. É necessário criar um novo modo de informar os leitores por meio da tela do computador, usando de todas as ferramentas disponíveis. O jornalismo online ainda não chegou ao seu ideal.
A crise serve para reflexão da atual condição do jornalismo brasileiro. Por mais catastrófica que ela esteja sendo, por mais que os jornais tenham mudado suas rotinas ou forma de expor o conteúdo e a linguagem, o jornalista deve buscar ser profissionalmente hegemônico.
O jornalismo online ainda está em fase de transição, buscando seu posicionamento nos meios de comunicação. Comete muitos erros; possui poucos acertos. É necessário refletir sobre a crise. Necessita-se no jornalismo uma auto-análise, uma autocrítica, buscando alternativas inovadoras.

criação: lisandro staut |
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