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Tática infalível - A imagem

Katianne Jouguet

A Rede de TV CNN é o melhor exemplo de televisão internacional que utiliza a imagem como suporte. A emissora, fundada em junho de 1980 por Ted Turner, ficou conhecida mundialmente em 1991, ano em que cobriu a Guerra do Golfo. Desde então, esta provocou uma mudança no papel da mídia. A televisão não apenas informava, mas espetacularizava a notícia.

A divulgação das imagens de guerra em tempo real por um único canal, criou uma espécie de produção cinematográfica, uma "minissérie". Todo dia, um capítulo inédito do conflito era apresentado. A CNN tinha uma audiência absoluta na televisão, além de toda a credibilidade. Quem iria desmentir os fatos, se os mesmos eram contados e vistos?

A pioneira CNN mostrou que o poderio da TV aliado ao impacto das imagens é capaz de distorcer um conflito, protegendo um único lado. As imagens são reais - com certeza, existe ética -, mas a seleção de tais e a maneira que as mesmas são expostas é que deturpam a realidade.

Segundo Chris Cramer, presidente da rede, "a política da CNN é não editorializar. Na nossa cobertura, apenas relatamos os fatos em questão, procurando assegurar uma isenção entre as partes em conflito. A CNN não tem posições políticas". ("Bastidores da notícia", Jornal do Brasil, 13/ 9/2001).

Mas há uma contradição em sua linha editorial. Se não há posições políticas, não deveria restringir suas imagens somente aos ataques terroristas, à divulgação de americanos mortos na guerra, às declarações do presidente Bush e de seus aliados. 

Atualmente a CNN detém um aparato tecnológico e apresenta uma destreza ou imediatismo na transmissão visual das notícias. Os dados mostram que o lucro anual da emissora chegou a 200 milhões de dólares. A empresa tem 42 sucursais espalhadas pelo mundo que atingem cerca de 200 países e 240 milhões de domicílios, além de ter 4.000 profissionais em prol da notícia, sendo 500 especializados na cobertura de guerras.

Não é à toa que ela ainda mantém, apesar da concorrência, sua hegemonia na cobertura de guerras. O problema está aí: com todo esse domínio, a CNN pode decidir o que é, ou não, notícia. Neste ínterim, o jornalismo se transforma em uma transação comercial.

Lucro e audiência

"As redes não fazem dinheiro com essa cobertura [de guerra]. A idéia de que a guerra pode ser boa para os negócios é até ofensiva. Esperamos, claro, que mais pessoas assistam à CNN e continuem conosco após a guerra. Mas a função de noticiar uma crise mundial não é negócio, é serviço público", declarou Chris Cramer à Folha de S. Paulo. ("Choque de freqüências", Folha, 20/3/03).

Talvez não lucre muito com a guerra, mas o que se investe em tal cobertura é exorbitante. O orçamento para a cobertura de uma guerra é de aproximadamente 35 milhões de dólares. Pode-se dizer que acontece uma venda de imagens à audiência. Por ser praticamente a única que investe neste setor "sem retorno financeiro", a CNN negocia suas imagens com as emissoras de todo o mundo.

Quem não lembra do atentado de 11 de setembro? Esse fato recente foi noticiado em toda parte. Um acontecimento mundial em que se transmitia excessivamente, em todos os canais, as filmagens dos choques dos aviões nas torres gêmeas. Filmagens feitas pela CNN. Todas as imagens compradas. Nesta época, essa televisão registrou um aumento de 633% em sua audiência.

Hoje, a CNN é amplamente difundida. Sua fama internacional faz dela uma das mais importantes emissoras do mundo. Sua credibilidade é enorme. Sempre procurou ser neutra em seus noticiários. No entanto, as imagens têm um poder de influência muito grande. E ao decidir o que deve ou não deve ser transmitido, a CNN falha em seu argumento de serviço público - apenas informar.

                   



criação: lisandro staut