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A
cor da voz
Thomas Braga
O mundo virtual toma conta do universo da comunicação. A imagem se torna a essência da vida. O homem, escravo da imagem, passa a vê-la como produto de consumo e de venda. Alguns homens vendem imagens; outros consomem imagens. Se pudermos dar um nome à revolução do século XXI, seria a Revolução da Imagem.
Dentro desse contexto, como sobreviverá o rádio, um veículo sem capacidade de mesclar informação e imagem? Tem muita gente apostando no fim da velha caixa sonora de madeira, lá no canto da sala, onde as costumeiras reuniões de família aconteciam.
Não, não dá para imaginar isso. O universo do rádio é muito grande para se desfazer com o tempo. Ele pode ser comparado a um propulsor da imaginação dos ouvintes, pois ele faz a imagem acontecer na mente. O rádio também transmite vibração, emoção, tristeza, ódio e, até mesmo, cor nas palavras da voz do locutor. É o rádio que abre os olhos da imaginação por meio da janela do pensamento.
As palavras se tornam a valiosas, a ponto de se transformarem em quadros, expressões, ordens, dinheiro, poder, domínio. O rádio deste século se apresenta de cara nova, com cores mais atraentes, com programas mais interativos.
Potencial grandioso
O rádio tem um potencial grandioso. Este instrumento que é de longo alcance, leva a realidade para muitas famílias espalhadas em nosso território nacional. A voz que soa pelas ondas do rádio tem cor diferente conforme o locutor que a projeta em seu programa. A voz tem um papel importante na interpretação dos fatos e acontecimentos, narrados no rádio.
A linguagem do rádio apresenta-se bem mais fácil de compreensão. O fato é que, o texto apresenta características de produção adequada ao seu público-alvo - texto curto, colorido, direto e que incita a imaginação de quem ouve. A grande diferença está na formação da imagem pelo receptor; cada um formata a imagem a partir de sua visão de mundo.
O rádio tem uma grande característica: poder de alcance, interatividade, versatilidade e imediatismo, fatores que o transformam em um companheiro diário. Os locutores dão esta cara de companheirismo, sua voz constrói a imagem de sua pessoa e também a do rádio.
Nos veículos de comunicação, a imagem é o diferencial no espetáculo. No rádio, isso não é diferente. Podemos traçar uma comparação do rádio com a arte de pintura. O apresentador, o entrevistador, o operador de mesa, esse time todo é responsável pela venda dessa imagem. No ateliê do rádio, o colorido fica por conta do texto, a pintura com a voz, e a produção final da imagem está na mente do ouvinte, que é o artista.

criação: lisandro staut |
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