|
|
|
editorial |
ombudsman | debate
| imprensa
mídia |
cultura | perfil |
nostalgia | opinião
em
tempo | olho vivo | leitor
| e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições |
inicial
O
âncora que não se prende
Delton Unglaub
O Jornal da Record possui cenário formal e bem distribuído. Sua linguagem não é das mais informais e o telejornal prioriza assuntos políticos e econômicos - pesados, por assim dizer. O diferencial do
Jornal da Record em relação aos demais é o apresentador, o jornalista Boris Casoy. Sua fama faz com que o público seja segmentado, pois além de dar sua pura visão dos fatos, não teme expor suas opiniões, conquistando telespectadores que apreciam mais sua imagem do que o próprio jornal.
Casoy seleciona as notícias que irão ao ar e não se preocupa em agradar ninguém. É um profissional com muita credibilidade no país porque seu telejornal, segundo o site da Rede Record, "apresenta conteúdo independente, crítico e apartidário". Assim, não é de se estranhar que sua análise do primeiro ano do governo Lula seja, digamos assim, peculiar.
Na maioria de suas transmissões o Jornal da Record seguiu uma linha um pouco ditadora de pensamento. Boris aproveitou-se do poder teológico-político da emissora para fazer comentários sobre a candidatura de Lula causando um certo medo supersticioso no telespectador - até certo ponto ignorante - que "idolatra" o âncora.
Em outro momento, o telejornal revelou o Partido dos Trabalhadores, com uma face totalitária, porque o governo iniciou a sua - previsível - censura aos meios de comunicação para não fugir de sua vocação de "PT".
Quando Paulo Pereira da Silva, candidato do PDT a prefeito de São Paulo, anunciou que agora "quer distância" do governo Lula, a oposição do PSDB e do PFL no Congresso reagiu ameaçando com uma CPI que não deixaria o presidente respirar. Boris Casoy foi contido, mas destacou a "ótima oportunidade" encontrada por Paulinho, para romper com os petistas e iniciar sua campanha para a vaga de Marta Suplicy em 2004. Finalizou relembrando dos "bons tempos em que o PT clamava por ética na política".
É possível perceber que ao se tornar um apresentador se adota a parcialidade. No entanto, não é uma parcialidade do veículo, ou do telejornal, mas sim do apresentador que faz seus comentários. Alguns, muito pertinentes e enriquecedores; outros, nem tanto. O telespectador acaba por reter a opinião de Boris e não a notícia em si.
O Jornal da Record conta muito para a informação do telespectador. Porém, deve-se considerar que a opinião de Boris - mesmo que não perceba ou admita - está sujeito a influenciar mais do que informações. A ancoragem é muito interessante, mas extremamente persuasiva e tendenciosa.

criação: lisandro staut |
|