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Cautela
é sempre melhor
Leandro Oliveira
Não queremos fazer uma retrospectiva do que foi falado, mas fazer algumas colocações sobre como a Rádio CBN retratou o primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Respeitado pelo seu potencial jornalístico, a CBN, pertencente às Organizações Globo, está presente em grande parte do território nacional com mais de 20 emissoras e algumas dezenas de retransmissoras. Como se sabe, ela é a única emissora brasileira a transmitir 24 horas de notícias.
Com a característica do imediatismo, o rádio é considerado o canal mais rápido para alcançar a população. Lula em seu primeiro ano de governo foi retratado por este veículo, em especial a CBN, principalmente por suas realizações, acordos, reformas e incertezas geradas pela inexperiência de Lula.
Comentaristas como Mirian Leitão, Carlos Sardenberg, Gilberto Dimenstein, Lúcia Hippólito, Franklin Martins apresentam em quadros diários suas opiniões sobre vários ângulos da economia e política, destacando sempre as iniciativas do governo.
Desde as eleições, a emissora tem mantido uma notável posição de neutralidade. Seus comentaristas não receiam falar sobre as possibilidades favoráveis ou desfavoráveis ao governo. No quadro "Dia-a-Dia da Economia", Miriam Leitão sempre mantêm o equilíbrio. No primeiro programa de 2003, ela se referiu ao comportamento do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, sobre as mudanças que deveriam ser feitas, mas que não deveriam afetar as conquistas do governo anterior.
Nas últimas semanas, dois exemplos interessantes aconteceram. O primeiro foi um elogio aos programas sociais desenvolvidos pelo Governo Federal. Segundo Miriam, a redução da fome no País é um resultado direto da atuação do governo. O segundo foi um alerta com relação ao aumento dos juros, que pode ser um empecilho para a concretização do aumento da economia. Em síntese, a CBN demonstra colocar em prática os conselhos de seus comentaristas ao governo. Cautela sempre é melhor.
Café forte
Atento a representatividade do rádio, Lula escolheu esta mídia como elo de comunicação com a população. Além de sempre estar em destaque na programação normal das emissoras, o presidente estreou o seu próprio programa, batizado de
Café Com o Presidente, que vai ao ar quinzenalmente e ocasionalmente é transmitido pela CBN.
Além de notícias, o programa inclui entrevistas e comentários sobre a política nacional.
Outros governantes já testaram a eficiência do rádio, entre eles José Sarney, com o
Conversa ao Pé do Rádio, e Fernando Henrique Cardoso, com A Palavra do
Presidente.
O modelo se baseou na estratégia do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan. Lá, a proposta funcionou muito bem; aqui, os dois programas protagonizados pelos presidentes anteriores deixaram a desejar. As falas populistas de Sarney deram vazão à gozação e os pronunciamentos de FHC só eram transmitidos pelas rádios que possuíam contratos publicitários com o governo. Espera-se que o
Café com Lula seja mais forte.

criação: lisandro staut |
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