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A
retomada do Oscar
Victor Drummond
O Rio Grande do Sul de 1910, com suas colônias italianas, trouxe entusiasmo para os amantes da sétima arte brasileira nos anos 90. É que este Brasil que não costuma aparecer nas telas foi retratado no filme
O Quatrilho (1994), dirigido por Fábio Barreto. Sua repercussão chegou à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pela cerimônia do Oscar. A produção de apenas 1,8 milhão de dólares concorreu como melhor filme estrangeiro. O filme disputou o prêmio com três filmes europeus e um africano.
Depois de fazer a sua estréia no Oscar em 1963 com O Pagador de Promessas - o filme perdeu o Oscar, mas ganhou Palma de Ouro em Cannes -, o Brasil passou por 33 anos de jejum. Na noite em que foi anunciada a indicação, a família Barreto (uma das mais bem sucedidas no cinema brasileiro. O clã é composto por Luiz Carlos Barreto, o pai, Lucy Barreto, a mãe - ambos produtores de cinema - e Bruno e Fábio Barreto, cineastas) comemorou exaustivamente num restaurante italiano.
Como afirmou a revista Veja (21/2/96) "conseguir uma indicação para o maior prêmio do cinema é bem mais trabalhoso que fazer um filme". Em primeiro lugar
O Quatrilho precisou ser indicado por uma bancada formada pela Secretaria de Audiovisual, órgão do Ministério da Cultura. Depois, 143 integrantes da Academia de Hollywood pré-selecionaram 40 produções que foram exibidas em sessões para eliminação. "O passo seguinte foi colocar anúncios do filme em publicações especializadas (...) Houve também chamadas de televisão aberta nas redes CBS, NBC e ABC, três grandes redes dos Estados Unidos. Deu certo. O filme foi escolhido."
Mas na madrugada do dia 25 de março a premiação veio para o holandês A Excêntrica Família de Antonia (1995), e não para
O Quatrilho (1995). E como publicou Veja (3/4/96), "em Los Angeles, Fábio e a comitiva de brasileiros que o acompanhava (...) foram dormir cedo. No Brasil, onde na noite do Oscar se formara torcidas tão animadas quanto na Copa do Mundo, a decepção foi geral".
Enquanto o elenco do filme chegava no local da cerimônia, a tensa torcida brasileira fazia contagem regressiva. Em muitos bares, restaurante e boates do Rio e de São Paulo foram montados telões para a transmissão e apostas foram realizadas. Infelizmente, a torcida não funcionou. Como escreveu o articulista Renato Martins, no site
Adoro Cinema Brasileiro, pelo menos a família Barreto "tem ajudado o cinema brasileiro a se recuperar com louvor".

criação: lisandro staut |
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