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A
cor marginalizada
Victor
Drummond
Pele alva, cabelos escorridos, traços europeus. É fácil encontrar na
mídia esse fenótipo considerado hoje padrão de beleza. Mas aquele ser humano dotado de mais melanina (ops! Olha o preconceito aí), traços largos e cabelos crespos não aparece na mídia. Esta
etnia sempre desempenhou papéis secundários neste meio. Em filmes e novelas, os negros sempre fazem papel de motorista, empregada, o pagodeiro do bairro, etc.
Mas falar que a mídia é preconceituosa ou não, exige um pouco de cautela. Pode-se defender o argumento de que os veículos de comunicação são preconceituosos. Justificaria-se pelo fato de que há poucos negros desempenhando papéis de apresentadores, protagonistas, âncoras de telejornais e aparecendo em capas de revistas. A modelo Naomi
Campbell e a jornalista Glória Maria seriam raras exceções - e já até viraram chavões - quando se fala de quem venceu o preconceito na mídia.
Por outro lado, é possível defender que a mídia não é preconceituosa.
Justamente porque ela procura contemplar as pessoas de cor negra com posições de destaque. São poucos
os casos? A resposta é sim, como já foi dito. Mas é preciso levar em conta um fator histórico-social que explica essa "raridade".
Os negros sempre foram marginalizados pela sociedade. A partir do momento em que foi abolida a escravidão e não houve nenhuma política de integração dos mesmos às atividades comuns, tornaram-se uma classe marginalizada. Isso é incontestável. Só há pouco tempo, negros
conseguem vencer essa barreira do preconceito e da exclusão social, com belos exemplos.
Entretanto, existe ainda uma maioria despreparada. Não porque tenham menos capacidade, mas porque nunca lhes foi possível expor ou desenvolver todas as suas potencialidades. Com isso, torna-se justificável haver poucos negros que se destacam na mídia.
Inserções "globais"
A Rede Globo parece praticar uma política de inserção dos negros na sua grade de profissionais. Heraldo
Pereira foi o primeiro negro a sentar na bancada do telejornal de maior audiência da televisão brasileira, o
Jornal Nacional. Zileide Silva, também integra o time de grandes repórteres da emissora apurando e transmitindo informações diretamente do Distrito Federal.
Os brasileiros podem acompanhar aos domingos o trabalho de Glória Maria (não há como escapar dos clichês) no
Fantástico. A filha negra de um casal simples começou como radioescuta e se tornou uma das profissionais mais conceituadas da casa. Em entrevista à estudante Ana Cláudia Soli, ela declarou que "se a TV Globo fosse racista, eu certamente não estaria aqui hoje".
Evidências e estigmas
Acontece que há fatos que apontam para o preconceito. A própria Glória Maria já afirmou que o acesso para o negro na mídia está "mudando sim, melhorando não (...) Se vamos eu e uma outra menina loira de olho
azul fazer um teste com um diretor de qualquer outra emissora no Brasil, as duas com igualdade de condições, ele vai dar a vaga para mim ou para a outra? Para a outra, é lógico (...)". Parece que sempre houve uma tentativa de deixar os negros numa posição marginalizada.
A novela A cabana do pai Tomás (1969), da Rede Globo, utilizou um ator branco maquiado de preto para ser o protagonista. Havia atores negros apenas em papéis secundários. A atual novela das sete, Da cor do pecado (2004), que tem como protagonista a atriz negra Taís Araújo, deixa uma margem de dúvida em relação à real intenção do boletim. O próprio título da novela, que associa a cor negra ao pecado, reforça a dúvida.
A personagem vilã, de Giovana Antonelli, refere-se aos negros como sendo uma "racinha qualquer". E o motorista de Lima Duarte na trama tinha que ser quem? Um negro, claro. Na revista
Teoria e Debate, o comunicador Hélio Santos diz que "na verdade, essa mídia reforça um estigma (...) eu não vou negar que o negro não ocupe a maioria das funções subalternas. Mas quando você só evidencia isso, você reforça".
Leonardo Silvino, publicitário e editor do site www.duplipensar.net, escreveu que "na mídia os negros são tão excluídos quanto nas universidades (...) O moreno e o índio são quase excluídos da programação da TV. Os comerciais adotam a mesma fórmula dos
shows de realidade: diversos brancos, dois ou três negros e um ou outro asiático. Será que existe preconceito? É claro que ele não seria explícito".
Hélio Santos acrescenta que um dos raros momentos em que o negro está na mídia é no
carnaval. "No carnaval você vê os negros na mídia sem falar, só rindo."

criação: lisandro staut |
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