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O
Brasil que rejeita um Brasil
Isadora Schmitt
Brasil. Terra das diferenças culturais. Pelo seu tamanho, e pela colonização que não foi nada homogênea, o país apresenta uma diversidade de cores, pessoas e hábitos. Além da enorme discrepância social, existe um preconceito contra certas regiões do país - que para alguns - são consideradas inferiores ou menos importantes para a identidade nacional.
Muitos criticam o bairrismo dos gaúchos, a frieza dos paranaenses e até mesmo a discrição dos mineiros. Mesmo assim, os nordestinos - termo já pejorativo usado pelo resto da população - ainda são os que mais enfrentam discriminação.
Quando se trata da mídia a coisa piora. Dentro do eixo Rio-São Paulo, grande centro da comunicação no país, pouco espaço é aberto para o pessoal do
Nordeste. Infelizmente muitos ainda são tachados de preguiçosos e incapazes, o que prova a dificuldade de se quebrar estereótipos há muito tempo formados.
Além da dificuldade do nordestino entrar no ramo dentro do sudeste, a imagem passada pela mídia da região também não contribui muito. Imagens da seca, da pobreza e da corrupção exercida pelos grandes coronéis, com certeza são as preferidas dos veículos de comunicação. A divulgação da rica cultura e dos avanços que já estão sendo exercidos, muitas vezes ficam em segundo plano dentro do esquema dos principais veículos.
Realmente existe o flagelo da seca e dos problemas sociais. Mas são exatamente os políticos corruptos que atrasam o desenvolvimento da região. Eles mandam e desmandam, bloqueando assim a capacidade econômica e intelectual dos habitantes. Sendo assim, a mídia deveria mostrar também o lado positivo para que a auto-estima e a confiança dos cidadãos do lugar fosse resgatada.
Existem grandes intelectuais e artistas nordestinos. Mesmo assim, o que é mostrado geralmente são os célebres do passado. Grandes nomes são muitas vezes ocultados por puro preconceito. Não existe outra palavra. Universidades federais como a da Bahia e do Ceará, por exemplo, têm uma grande representatividade dentro do meio acadêmico. Mas quem sabe disso? A maioria não sabe.
Lula foi alvo de preconceito pelo fator imagem e escolaridade. Por ter vindo de uma linhagem pobre também, com certeza. E pelo fato de ser nordestino? Provavelmente o seu sotaque, a sua maneira de ser e suas origens contribuíram para que as pessoas pensassem por tanto tempo dessa forma.
As grandes metrópoles brasileiras devem muito de seu desenvolvimento aos nordestinos. A força de trabalho deste povo contribuiu muito para o surgimento das grandes cidades. O êxodo exercido por eles desde o século passado, por mais que falem que tenha aglomerado os centros, foi primordial para a construção de muitos lugares.
Devido a isso, a mídia, os cidadãos e as instituições deveriam ter orgulho da cultura nordestina. Porque além dela ter contribuído para o caráter nacional, também faz parte de nós como povo brasileiro. E viva o
Nordeste!

criação: lisandro staut |
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