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Islamofobia

Marcio Tonetti

Em nossa sociedade ocidental, o nome muçulmano geralmente é confundido com terrorismo ou vandalismo. Após o lamentável 11 de setembro o mundo islâmico sofreu um golpe sem precedentes. O fato incubou algo que poderíamos chamar de "islamofobia".

Um relatório elaborado em conjunto por pesquisadores da Universidade de Leicester, Holanda, e divulgado pelo boletim Ciência Hoje, da UOL, concluiu que após o atentado a onda de discriminação contra grupos religiosos e étnicos, em especial muçulmanos, aumentou expressivamente. Nos veículos de comunicação de todo o mundo foi transmitido ao vivo o ato radical dos comparsas de Osama Bin Laden frente ao World Trade Center e ao Pentágono. 

Conforme relatou o jornalista da Rede Globo e autor do livro Deus é Inocente: a Imprensa, Não, Carlos Dornelles, "quem tinha o poder usou a imprensa para mostrar um conflito que envolvia aqueles que defendiam uma pretensa religião superior contra uma civilização bárbara, uma religião esquisita de pessoas que não tem amor à vida". Segundo ele, esta foi a visão difundida pela mídia a respeito dos seguidores do alcorão. Uma versão um tanto que distorcida, mas é a que "cola". 

Mas qual a base de tal preconceito? Qual seria o motivo da perseguição? Porque outras denominações não entram em colapso com a mídia? Afinal, o islamismo é uma religião com milhões de adeptos no mundo com fundamentos na revelação escrita. 

A razão é simples. A mídia tem o poder de construir e danificar imagens. Religiões espíritas, por exemplo, não carregam uma carga de valores e nem cogitam ideais pró-censura. O budismo, que também é uma religião oriental, é praticada pelos mais altos "clãs". Mas o que dizer de Pearl Harbor e os kamikazes? O Islamismo, assim como toda crença, está firmado em valores morais da tradição muçulmana, e que na maioria dos casos acabam se chocando com a ideologia da mídia. 

E a imprensa brasileira que papel tem desenvolvido nesta empreitada? Pela influência que sofre das agências internacionais, ela não é inocente. Expressões como "gênios do mal", fé cega e mortal, pronunciadas por jornalistas diariamente, demonstram um alto preconceito.

Uma reportagem especial exibida pelo Fantástico afirmava que a ciência havia descoberto que o fanatismo religioso pode ser fruto de distúrbios no cérebro, especificamente no lobo temporal. No contexto atual, o único fanatismo religioso abordado é da "turma do turbante".

A mídia generalizou a situação, aproveitando-se do atentado terrorista; misturou completamente o fanatismo de Bin Laden com os preceitos do islã; não seguiu as leis elementares do jornalismo, de sempre ouvir ambos os lados. Conseqüência: Os Estados Unidos sempre passam por mocinhos da história. 

Agora que a doença se alastrou a imprensa até pode, mas raramente irá fazer algo para controlar tamanha "islamofobia".

                                                       



criação: lisandro staut