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Telejornal cultural

Delton Unglaub

A emissora tem cultura no nome e o programa Metrópolis responde a altura da responsabilidade em apenas 30 minutos. Metrópolis resiste ao tempo sem perder a classe. Está no ar desde abril de 1988 e, segundo o site oficial, "é o único produto diário da televisão brasileira totalmente dedicado às artes e espetáculos". 

O programa é apresentado por Cunha Jr., e por ser um programa jornalístico tem a participação de críticos de arte para dar credibilidade às informações. Sua principal característica é a divulgação da agenda musical e dos mestres da pintura e da literatura. 

Uma característica marcante e diferencial do programa é o cenário. Cerca de noventa obras de artistas contemporâneos foram doadas a Fundação Padre Anchieta no decorrer dos treze anos do Metrópolis. Todo mês uma obra fica exposta no cenário do programa divulgando o nome e a obras dos artistas. 

Quando comparamos o telejornalismo das televisões privadas percebemos a notícia como espetáculo. Já o jornalismo da Cultura privilegia a concepção de acontecimentos. E este é o dever de qualquer telejornal. As equipes de reportagem do Metrópolis retratam os acontecimentos por uma ótica diferente. A tragédia, a felicidade, a morte e a vida são notícias, porém, são retratos da arte, do cotidiano e de nossa cultura. As matérias produzidas são de ampla cobertura ao panorama cultural do momento e os principais eventos são divulgados, na maioria das vezes, ao vivo.

Este espaço segmentado da TV, ao longo dos anos, tornou-se uma vitrine para artistas plásticos convidados. O programa já recebeu 113 prêmios nacionais e internacionais, entre os quais três Emmys, dos quatro que o Brasil recebeu em 40 anos de televisão. 

Em 14 de abril deste ano o diretor presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge da Cunha Lima, em artigo publicado pelo Estado de S.Paulo, escreveu: "num período de profunda transição, o ajuste fiscal por que atravessa o Estado o obrigou a cortar inicialmente 30% da verba da fundação". Mesmo com tantos cortes o programa Metrópolis ainda está inteiro, mesmo que seja o único telejornal cultural diário da televisão brasileira.

Na Europa emissoras públicas são lucrativas e tem alto índice de audiência. Por essa razão a sociedade é mais culta e interessada na educação. No Brasil temos o mesmo potencial, mas a crise publicitária provoca uma guerra que resulta na desvalorização e rebaixamento das programações. Tudo em função dos critérios mercadológicos de audiência. Isto prejudica a audiência de programas como o Metrópolis por causa da oferta excessiva de baixaria. No entanto, segundo Cunha Lima "gosto não é uma questão de demanda, mas de oferta". 

Há muita mistura entre o interesse público e o do governo e isso ocorre por causa dos interesses privados. Esta é a parte mais intrigante da história da emissora: todo potencial cultural está sendo desperdiçado e o mais triste: potencial cultural, quase extinto em nossa sociedade. 

Concluo então parafraseando Martin Luther King, Jr. em seu mais famoso discurso. Embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, eu ainda tenho um sonho. Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "promover a formação crítica do cidadão, através de uma programação educativa, cultural, informativa e de entretenimento."



      
                                                   



criação: lisandro staut