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O centro das atenções
Lísye Rizziolli
Uma
personalidade, uma bancada de entrevistadores, um jornalista coordenando o
debate e os assuntos mais cotados. Não precisa de muita coisa para se
fazer um programa de qualidade. É claro que a personalidade e a bancada têm
que passar por um crivo de inteligência e cultura. No mais é só
aproveitar.
O programa Roda-Viva, da Tv Cultura, completou 18 anos de existência
e mais de 500 programas exibidos ao longo dos anos. Os assuntos são os
mais diversos. Vai de economia à cultura. É transmitido em rede nacional
para todos os estados brasileiros.
O mediador do programa desde 1971 é o jornalista Paulo Markun. Ele já
escreveu seis livros e produziu quatro documentários. Trabalhou nos
principais jornais e emissoras do País, como Folha de S.Paulo, O
Globo, O Estado de S.Paulo, Jornal da República, Rede Globo e a
extinta Rede Manchete.
Alguns discordam do método usado no programa. Segundo eles, o
apresentador brilha mais que o apresentado. São muitos caciques para um
índio só. Otávio Frias, jornalista e diretor da redação da Folha,
disse em um artigo no jornal, que "o programa Roda Viva é uma
das maiores ilusões de ótica da televisão brasileira. Ao contrário do
que parece, o 'formato' do programa, em que a vítima se vê na arena de
um coliseu de papelão, favorece o entrevistado. Basta-lhe voltar as
costas para um dos entrevistadores, que estão se acotovelando pela sua
vez de falar. Ele vira a cadeira, o assunto muda". Ele que já esteve
na cadeira giratória poderia falar isso.
O programa é exibido toda segunda às 22:30hs. O público formado por
pessoas com um nível cultural elevado. No final de cada programa o
apresentador fala a pauta da próxima entrevista. Isso dá um espaço
maior para que o telespectador possa se inteirar do assunto. Quando o
programa não é gravado, devido a traduções ou reprises, o
telespectador participa ao vivo dando suas opiniões ou fazendo perguntas
ao convidado.
Não são muitos os temas relacionados à cultura. Mas apesar de poucos,
quando apresentados são de altíssima qualidade. Como José Saramago e
Pierre Lévy, falando sobre cibercultura: "interatividade do mundo
contemporâneo, fruto do desenvolvimento dos transportes e telecomunicações
e da necessidade inerente do ser humano de se comunicar, e o conceito de
metaevolução, ou seja, a evolução dos meios de comunicação que
permite a expansão do poder de conhecimento do homem".

criação: lisandro staut |
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