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Mulher no rádio:
consumidora e consumida
Fabiana Amaral
Em qualquer ângulo analisado, a posição da mulher na mídia denota preconceito. Todavia não é bem assim que as coisas acontecem, ou pelo menos, aconteceram no rádio brasileiro. A mulher, apesar de alguns tópicos depreciativos, não se precisa ater a eles.
Vamos ao que interessa. Iniciada no Brasil em 1922 - embora haja controvérsias de um ano, para mais ou para menos -, a mídia radiofônica se mostrou receptiva às necessidades femininas. Também pudera, não demorou muito a descobrir um filão consumidor e produtivo.
O primeiro programa feminino que foi ao ar, data de março de 1930; tratava-se de lições de arte culinária. As mulheres se alvoroçavam em torno do aparelho de rádio
- que nessa época se multiplicava pelo País - para ouvir as novidades que as preparavam para as atividades domésticas. Sem falar dos programas seguintes, que enfatizavam o tratamento a ser dispensado com os esposos, o melhor tratamento para a família. Sem nada mais para fazer, só restavam às boas mulheres atenderem aos conselhos.
Mas não demorou muito para que se descobrisse que, além de consumidoras, as mulheres também eram ótimos produtos a serem consumidos. Dessa forma, desde a década de 30 começaram a migrar para o rádio as estrelas dos palcos.
As mulheres começaram a engrossar um filão que não pararia de crescer e o mercado de trabalho apresentaria, a partir de então, maiores condições. Embora não justas ou iguais as dos homens, o respeito e admiração cresceram assombrosamente à mulher, muito mais que aos homens.
Mulheres artistas de rádio foram abrindo espaço e, mesmo existindo certo preconceito, não era nada comparado com que artistas de renome sofreram uma década antes, como a compositora Chiquinha Gonzaga. Esta fora repudiada, inclusive por sua família, e as pessoas não aceitavam seu trabalho como cantora e compositora.
Começou a virar sonho entrar para o casting da Rádio Nacional (RJ) e as disputas geravam famosos concursos para eleger a rainha do rádio. Numa época em que tudo era feito muito rusticamente, a imagem - por incrível que pareça, por se tratar de rádio - era muito cultuada. As artistas, que além de muito bonitas também eram talentosas, viravam mania nacional e internacional, como o caso de Carmem Miranda, a pequena notável, que, do rádio, brilhou nas telas de todo mundo.
Capas de revistas faziam delas um mecanismo eficientíssimo de ganhar dinheiro e atrair a atenção. E nomes não faltam para ilustrar a fase de ouro do rádio, como Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Dolores Duran, entre tantas outras que se fossem citadas ocupariam todo um caderno desta revista.
O fato é que, desde seu início, no Brasil e no mundo, os idealizadores e produtores de rádio não puderam negar a incrível força feminina neste portentoso meio de comunicação. Fosse interpretando falas, músicas, animando palco, cantando ou encantando, o rádio não teria esse mesmo charme que o tem se não fosse o dedo - ou o corpo inteiro - de maravilhosas mulheres que consumiam e se faziam consumir.

criação: lisandro staut |
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