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Explosão feminina na
publicidade dos anos 80


Marcelo Viana

Por muito tempo a publicidade e os outros meios de comunicação direcionavam seus esforços publicitários apenas nos homens. Não que isso fosse simples machismo, mas era apenas um retrato do mundo da época. Até meados dos anos 80, o sexo feminino não tinha um lugar específico na sociedade. As mulheres eram conhecidas por seus maridos e não possuíam expressão significativa no mercado consumidor, visto que eles eram os donos do dinheiro.

Na década de 80, houve uma mudança radical no cenário econômico social para as mulheres. Já há algum tempo elas estavam tentando ser independentes. A partir daí, as mulheres passaram a brigar cada vez mais por igualdade no trabalho e na sociedade; esta luta, contudo, teve conseqüências.

Na luta, elas perderam privilégios e atributos femininos. Hoje, tentam encontrar sua feminilidade sem perder os privilégios adquiridos. As revolucionárias da sexualidade só descobriram a Aids, nos anos 80. Loucas para se tornarem dominadoras como os homens, acabaram por perder atributos que faziam parte de sua própria essência. 

"Antes, modelos não eram celebridades e não causavam tanta inveja nas mulheres", diz o diretor de filmes publicitários Clovis Mello, da produtora Cine. Foi nesse período que as supermodelos, como Cindy Crawford e Linda Evangelista, explodiram. Problemas como anorexia e bulimia se tornaram um grande problema, visto que a beleza da época era a das modelos supermagras. A mulher tentava achar seu lugar até no gosto masculino.

Nem tudo, porém, foram perdas. Nos anos 80 a mulher também se tornou emancipada, não precisando mais lutar para conseguir sua posição na sociedade. Dona de seu próprio dinheiro e muitas vezes sustentando alguns "homens" em seus lares, as mulheres passaram a ter controle sobre suas compras e exigem produtos de qualidade.

A publicidade não fechou os olhos para esta explosão feminina. Na década de 80, o número de produtos criados especialmente para mulheres cresceu muito. As agências passaram também a contratar mulheres; mais sensíveis e sensitivas, elas percebem melhor as necessidades do mercado. Pesquisas revelam que as mulheres são as maiores consumidoras e movimentam um mercado de milhões.

                                        

criação: lisandro staut