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Marta Suplicy, a primeira
mulher a falar de sexo


Yana Reis

Marta Suplicy, nascida em São Paulo, desde cedo apresentou vocação para liderar e propor mudanças a sua volta. É mestre em Terapia Comportamental e Sexologia pela Universidade Estadual de Michigan, com um ano de pós-graduação em Stanford, na Califórnia. Marta fundou o curso de Terapia Comportamental do Instituto Sedes Sapientiae.

No Instituto, Marta dava aulas de Terapia de Casal, escrevia sobre casamentos em revistas como Claudia, que lhe presenteou com o prêmio de "Primeira entre as dez maiores mulheres admiradas no Brasil", em 1986. Fazia ainda palestras e atendia muitos casais em seu próprio consultório. Foi fundadora da Frente das Mulheres Feministas de São Paulo.

O interesse de Marta Suplicy por sexo se deu em uma viagem em família aos Estados Unidos, na época de grandes movimentos contra a guerra do Vietnã. Em meio à efervescência em favor dos direitos civis dos negros, Marta ouviu falar pela primeira vez em "feminismo" dedicando-se então a estudos de casos de disfunções sexuais.

Marta achou que era hora de tocar nesse tabu, há muito tempo rodeado pela mídia. No começo dos anos 80, aceitou o convite da apresentadora Marília Gabriela e do diretor Newton Travesso para falar sobre sexo no TV Mulher da Rede Globo.

Com o quadro Comportamento Sexual, apresentado diariamente por cinco minutos durante seis anos, Marta derrubou a convenção de que o tema era impróprio para a televisão, especialmente em horário matutino. Nem por isso deixou de despertar a ira de alguns segmentos conservadores da sociedade, que fizeram com que o programa saísse do ar em 1987.

Marta então passou a trabalhar para a TV Manchete com o mesmo programa e falando sobre os mesmos assuntos polêmicos: gravidez na adolescência, ejaculação precoce, masturbação, orgasmo, etc.

Os programas resultaram em seus primeiros livros sobre sexo e educação sexual. Hoje, Marta tem em seu currículo sete best-sellers sobre o tema, um dos mais conhecidos é Conversando sobre Sexo.

Defensora de causas como a legalização do aborto, a união civil de homossexuais e o controle do sexo e da violência na televisão, Marta recebeu no primeiro turno das eleições ao governo do Estado de São Paulo, em 1998, nada menos que 3,8 milhões de votos.

O programa Comportamento Sexual deu o empurrãozinho necessário para a popularização do sexo na mídia. Resta saber se isso foi positivo ou negativo. Com certeza, Marta teve boas intenções. Todavia, como se sabe, de boas intenções o inferno está lotado.

                                        

criação: lisandro staut