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ar, a campeã
de audiência
Loriza Kettle
Não adianta negar. Todo mundo já assistiu nem que seja uma única vez uma novela. E não precisa ser noveleiro de plantão, não. Muitas pessoas que estão em casa, lendo ou ouvindo uma música e sabem que está no horário da novela começar, lá vão para a sala dar uma "espiadinha". É incrível o poder que as telenovelas têm na
sociedade brasileira. Elas ditam moda, regras comportamento e até vocabulário.
A primeira telenovela brasileira foi produzida pela TV Tupi; a primeira trama diária, pela Excelsior, em 1963. Hoje, porém, as duas emissoras não existem mais. É a Rede Globo que domina o segmento.
É difícil falar de novelas sem mencionar o poder que a emissora carioca tem sobre o gênero. Sua primeira produção foi em 1965,
Ilusões Perdidas, de Ênia Petri, que durou apenas 50 capítulos. Mas o que ninguém imagina é que foi uma cubana que escrevia os primeiros folhetins globais - Glória Magadan.
Apesar de ser conhecida como a rainha das telenovelas, Glória escrevia histórias que fugiam completamente à realidade brasileira e ainda eram copiados de modelos europeus. Para se ter uma idéia, em 1966 a novelista escreveu
O Sheik de Agadir, do romance Taras Bulba, de Nicolai Gógol.
Em 1967, chega à emissora Janete Clair; Glória logo é transferida para a TV Tupi. Com Janete, começa uma nova fase na Globo e, na década de 70 começam a ser exibidos os maiores sucessos da teledramaturgia brasileira, entre eles
Véu de Noiva (1969) e Irmãos Coragem (1970). Suas histórias consagram-na a maior dramaturga da TV brasileira. Destacam-se aqui as inesquecíveis
Selva de Pedra (1972), Pecado Capital (1975) e Pai Herói (1978).
Em 1980, com a falência da TV Tupi, a Globo praticamente monopoliza a produção de telenovelas. Janete Clair escreve as suas últimas novelas,
Coração Alado (1980) e Eu Prometo (1983). A novelista falece sem concluir o último trabalho e é substituída por Glória Perez.
A década de 80 também é marcada por outros sucessos como Vale Tudo (1988), de Gilberto Braga. Na verdade, atinge o seu clímax em 1985, com
Roque Santeiro, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva. A trama havia sido censurada dez anos antes, por causa do regime militar. Ao ser reescrita, bate recordes de audiência.
Concorrência nos anos 90
Todavia, os anos 90 começam com preocupação para a Rede Globo. Sua liderança é ameaçada pela extinta TV Manchete ao exibir a novela
Pantanal (1990), de Benedito Ruy Barbosa. Por causa do sucesso da concorrente, a Globo cria um horário alternativo de novelas, às 21h30.
Em 1991, a emissora líder é novamente ameaçada, desta vez pelo SBT, por
meio do enlatado Carrossel, criando uma forte concorrência com O Dono do
Mundo, de Cassiano Gabus Mendes.
No final da década, a Globo contrata um novo escritor, Walcyr Carrasco, autor de
Xica da Silva (1996), da Manchete, e Fascinação (1998), do SBT. Sua estréia na Globo é com
O Cravo e a Rosa (2000), inspirada em O Machão (Tupi/1974); um grande sucesso. Mas sua novela seguinte,
A Padroeira (2001), não atinge bons índices.
Mas o novo milênio está marcado por grandes sucessos como Laços de Família
(2000), de Manoel Carlos, Uga Uga (2000), de Carlos Lombardi, e
Um Anjo Caiu do Céu (2001), de Antonio Calmon. Sem falar na
atual, Mulheres Apaixonadas.
Pode-se perceber que, no decorrer dos anos, a Rede Globo tem crescido cada vez mais em suas produções novelísticas. Hoje ela é a principal referência no assunto no mundo inteiro. Isso se dá graças ao altíssimo investimento em suas produções, seja na compra de equipamentos ou na criação de cidades cenográficas.
Existe uma dualidade a respeito da influência das novelas da Globo na vida das pessoas. Curiosamente, a emissora sempre trata de temas polêmicos e atuais e, em alguns casos, até de forma positiva. Drogas, homossexualismo, violência contra a mulher são apenas alguns exemplos. Mas é triste como suas produções incentivam o adultério, a violência, a inveja. E tudo isso como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Não quero, de forma alguma, dizer com isso que não devemos assistir as novelas da Globo. Em algumas exceções, suas histórias até que são interessantes, servem para passar o tempo. Mas enfatizo que se deve ter cuidado ao administrar isso em nossa vida. Essas histórias não podem influenciar tanto a ponto de ferir princípios e valores.
Para saber mais sobre as novelas da
Globo, leia o artigo
"Da
manufatura ao digital",
publicado em 1.º/3/03
criação: lisandro staut
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