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Sistema brasileiro de telenovelas?

Cíntia Sandri

"Éramos Seis" / Foto: Teledramaturgia É um tanto difícil encaixar o SBT no mundo das ilusões do Brasil, onde as novelas têm seu reinado absoluto com a Rede Globo. Mas o SBT conseguiu cavoucar seu espaço, primeiro com as novelas latinas, apenas traduzidas e adaptadas para o Brasil, e, mais tarde com a produção própria.

Destino, a primeira novela produzida pelo SBT, foi ao ar em 5 de abril de 1982. A trama possuía 55 capítulos e era escrita por Raymundo Lopes e Crayton Sarzy. Com o enredo um tanto quanto "sem sal", o dramalhão conta a história de Fernando (Flávio Galvão), que vive feliz com sua família até que sua ex-noiva reaparece, Lorena (Tânia Regina), conturbando a vida do casal. Para completar, um filho desaparece sendo achado mais tarde com outro nome. Como era de se esperar, o folhetim não conseguiu nem de longe abalar o Ibope da experiente Globo.

Mas o SBT não desistiu e continuou ano após ano produzindo novelas, além de deixar as mexicanas no ar. Títulos como Meus Filhos, Minha Vida (1984), Cortina de Vidro (1989) e Brasileiros e Brasileiras (1990) compõem a parca dramaturgia da emissora nos anos 80 e início dos anos 90.

Ameaça mesmo ao império da produção de telenovelas ocorreu só em 1994. Éramos Seis não pretendia ser uma novela qualquer. Já é possível perceber isso pelos autores, Sílvio de Abreu e Rúbens Ewald Filho, e diretor, Nilton Travesso.

A trama de 180 capítulos, baseada no romance de Maria José Dupré, conta a triste história de dona Lola (Irene Ravache), uma viúva com quatro filhos. O decorrer da novela mostra suas dificuldades, desde a luta para criar a prole até a perda de seus entes queridos. Éramos Seis foi um verdadeiro sucesso, marcando a briga pela audiência nos anos 90.

"As Pupilas do Senhor Reitor" / Foto: Teledramaturgia O ano de 1994 encerra-se com mais um ótimo trabalho, As Pupilas do Senhor Reitor. Novela de Lauro César Muniz, baseada no romance do português Júlio Diniz e com o mesmo diretor-geral de Éramos Seis: Nilton Travesso. Foi outro sinônimo de sucesso entre o público, contando a história de duas jovens (Débora Bloch e Luciana Braga) e que após serem deixadas pela mãe, ficam sob os cuidados de um reitor (Juca de Oliveira) que as ensina e as protege das complicações da vida.

É notável que as duas novelas de maior repercussão do SBT são baseadas em livros de romance, uma combinação que deu certo. Infelizmente, de lá para cá começou a decadência. Apesar da produção, Sangue do Meu Sangue (1995-1996), Razão de Viver (1996) e Os Ossos do Barão (1996) não alcançaram o sucesso das anteriores.

Recomeço

O tempo passa, as novelas continuam. É em 1998 que novamente o SBT chama atenção pelas suas novelas, com Fascinação de Walcyr Carrasco. No ano anterior, a parceria com a rede Argentina Telefé para a produção de Chiquititas (1997-2001) também havia emplacado. O enredo infantil foi uma febre entre as crianças.

Pérola Negra
(1998) também não foi um fracasso completo, principalmente se comparada com a terceira versão de O Direito de Nascer (2001), gravada à mesma época. Esta foi a novela mais criticada e mal produzida pela emissora, desde o enredo até a interpretação. E também por estar fora de contexto. A trama foi exibida 2001, mas filmada em 1997.

O SBT produziu novelas que foram grandes marcos na história da televisão e outras nem tanto. Mas nem só de sucessos vive uma emissora, ainda mais concorrendo com a Rede Globo, campeã no quesito telenovela. Mesmo percebendo que não é esse o seu ponto forte, o SBT tem dado uma contribuição significativa ao público das telenovelas. 

Mas, no caso do SBT, que continuem os programas de auditório, carro-chefe de Sílvio Santos. O Brasil, infelizmente, já escolheu e monopolizou o seu sistema de telenovelas.

                                        

criação: lisandro staut