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O que dá vida às novelas

Cristiane Gemignani

"O Rei do Gado": trilha sonora mais vendida em toda a história da telenovelaA música tem um forte poder de influência e fixação sob as pessoas. Em algumas propagandas, é utilizada para fixar o produto na mente. Na escola, é usada para auxiliar as crianças com as matérias mais complicadas. E nas novelas, a música dá vida às cenas.

Retrocedendo na história das novelas, a primeira trilha sonora, criada especialmente para uma novela foi a música “Trágica Mentira”, para a TV Tupi, em 1959.  A partir daí, tornou-se um quesito principal. Os autores pediam para compositores criarem músicas exclusivas de acordo com enredo da trama. Músicas populares também eram usadas freqüentemente em novelas, popularizando o compositor.

Muita gente começou a comprar os discos com as trilhas das novelas com temas internacionais e nacionais. Há também as trilhas complementares que não estão na novela, mas aparecem nos CDs. O Clone (Globo, 2001-2002) foi a que mais teve trilhas complementares – quatro a mais.

Nos anos de 1970 e 1980, as músicas eram tocadas no final das novelas e nos comerciais dos próximos capítulos. Eram escolhidas aleatoriamente a partir da trilha original.

“Véu da Noiva” (Globo, 1969) feita por Nelson Motta alcançou uma venda de cerca de 70 mil cópias. Mas foi batido o recorde em 1976 pela “Estúpido Cupido”, com um milhão de cópias vendidas. O disco da novela O Rei do Gado (Globo, 1996-1997) superou esse número com 2.122.000 cópias. Mas foram as novelas das 18h que começaram a ter as trilhas em compactos.

Melodias inesquecíveis

Os cantores mais freqüentes das trilhas eram Caetano Veloso e Gal Costa, com quase 50 músicas cada um. Também se incluem nesta lista Fafá de Belém, Rita Lee, Roupa Nova, Ney Matogrosso, Lulu Santos, Maria Bethânia, Simone, Guilherme Arantes e Gilberto Gil.

Até hoje, a música que mais foi tocada nas trilhas sonoras, é "Eu Sei Que Vou Te Amar", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. São elas: Os Imigrantes (Bandeirantes, 1981-1982), Terceira Geração (Bandeirantes, 1982), Bambolê (Globo, 1987), A Madona de Cedro (Globo, 1994), Explode Coração (Globo, 1995-1996), Anjo Mau (Globo, 1997) e O Beijo do Vampiro (Globo, 2002-2003). Assim como essa, outras músicas foram utilizadas mais de uma vez, imortalizando-as.

A novela fica marcada devido ao sucesso da trilha; sempre que as pessoas ouvem músicas a relacionam com certos programas. Um exemplo é o famoso “lerê-lerê” de Escrava Isaura (Globo, 1976-1977), que até hoje se relaciona à escravidão.

Outras músicas inesquecíveis foram as de Pecado Capital (Globo, 1975/1999) de Paulinho da Viola; Gabriela (Globo, 1976), com Gal Costa; Dancin' Days (Globo, 1978-1979) com As Frenéticas. Além dos sucessos estrangeiros, como “Love’s in the Air” na novela O Amor Está no Ar (Globo, 1997).

Houve uma época que somente uma trilha era utilizada. Mas a audiência começou a ficar baixa e então aumentaram as canções visando reconquistar o público. Esse é o poder da música na novela.
Elas enfatizam a emoção que os autores querem passar em determinadas cenas. Tudo depende da letra e do ritmo para levar ao clímax da cena.

Geralmente, a maioria das pessoas que ouve alguma música de determinada novela relembra as cenas. É como se ela vivesse o momento novamente. E não importa o ano em que tenha assistido, a trilha fica gravada na memória.

Tudo isso é sutilmente infiltrado no inconsciente, sem que o telespectador perceba seu poder. Mas, admita-se, sem isso, novela não tem a menor graça...

                    

criação: lisandro staut