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prol da ordem e do progresso
Jeane Barboza
Em época alguma da história brasileira tantas rupturas ocorreriam, e de tal forma profundas, moldando uma nova sociedade como a década de 20. O ano de 1922 foi chave para a compreensão do Brasil de hoje. Em fevereiro acontecia em São Paulo a Semana de Arte Moderna; ex-anarquistas e maximalistas reuniam-se em Niterói e fundavam o Partido Comunista do Brasil; em 5 de julho explodia a primeira revolta militar; e a Exposição Internacional do Rio de Janeiro incentivava o intercâmbio comercial entre as nações.
Como se não bastasse, o Brasil comemorava o primeiro centenário de independência. O governo federal resolveu comemorar com diversas solenidades a máxima data nacional e aproveitou para, em 7 de setembro, introduzir o País no mundo da comunicação de massa: o rádio. A Westinghouse Eletric e a Companhia Telefônica Brasileira foram as responsáveis pelo milagre das ondas, vindas diretamente do Corcovado. Desde então, o Brasil não foi mais o mesmo.
Mas demorou um ano para surgir oficialmente a primeira emissora de rádio em solo brasileiro. Propriedade do escritor e cientista Edgard Roquete Pinto, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi ao ar pela primeira vez em 20 de abril de 1923, com o lema "pela cultura dos que vivem em nossa terra e pelo progresso do Brasil".
À época, a emissora funcionava sem fins comerciais. A publicidade no rádio só ganhou fôlego nos anos 30. Antes disso, havia as "rádios clubes" ou "rádios sociedades", que tinham uma programação elitista, organizadas por ricos burgueses, que sustentavam as emissoras e forneciam as músicas - geralmente clássicas.
A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro influenciou tanto a mídia brasileira que hoje são 2.273 emissoras comerciais existentes no Brasil. No entanto, diferente do que desejava Roquete Pinto, o meio assumiu um perfil competitivo.
Há quem queira mudar esse estado. As grandes emissoras do Brasil, com o advento do satélite, reeditaram as antigas cadeias nacionais, levando para estações do interior do país uma programação mais qualificada, oferecendo aos ouvintes seu caráter original. "Já as emissoras que não estão conectadas a uma das nove redes atuantes no Brasil, oferecem uma programação eclética que vai da música popular brasileira ao rock, do radiojornalismo sério ao sensacionalismo das histórias policiais" (Fernando Vieira de Mello).
O governo federal definiu a meta de democratizar o instrumento, atuando em abertura de duas mil novas estações de rádio, que serão distribuídas pelo governo por meio do regime de concessão. Também está fechando emissoras piratas e lançando as chamadas rádios comunitárias.
Na história recente, são os veículos de comunicação social que constituem a fonte de informação da sociedade. Infelizmente algumas grandes corporações desvirtuam a função pública do rádio. Certos grupos, fundados no espírito publicitário, abusam do seu poder econômico e, em conjunto com a imprensa, maculam informações e ludibriam o direito do cidadão de ser devidamente informado. Deturpam o objetivo idealizado por Roquete Pinto - com fins científicos e cultuais. Têm força capaz de eleger culpados e de absolver ou punir heróis.
criação: lisandro staut
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