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Dos Flintstones aos Jetsons

Alhandra Andrini

Com as grandes navegações do venturoso Dom Henrique, imperador de Portugal, o homem procurou comunicar-se com o seu semelhante em terras longínquas, aventurando-se pelo desconhecido e contradizendo a crença sobre o formato da Terra. 

Hoje, os tempos mudaram, as rotas e navegações também. Qualquer internauta, pode conhecer, pesquisar, comprar e se comunicar com qualquer parte dos cinco continentes navegando pela internet. Eis que se abre uma janela para o mundo.

A internet nasceu de forma inesperada. Não houve nenhum grupo de pessoas que discutisse: "Vamos criar a internet". Instituída com finalidade militar, a Arpanet, o embrião do que hoje é a maior rede de comunicação do planeta, surgiu em 1969 com o propósito de atender a demanda do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DOD). 

Na verdade, a idéia inicial era criar uma rede que não pudesse ser destruída por bombardeios e que fosse capaz de ligar pontos estratégicos como centros de pesquisa e tecnologia. O que começou como um projeto de estratégia militar financiado pela Agência de Pesquisa em Projetos Avançados (Arpa), acabou se transformando na grande teia virtual.

No Brasil, a história da internet iniciou-se em 1991 pela Rede Nacional de Pesquisa (RNP), uma operação subordinada ao Ministério de Ciências e Tecnologia*. Em 1994, no dia 20 de dezembro, a Embratel lança o serviço experimental a fim de conhecer melhor a internet e no ano seguinte abre-a para exploração comercial brasileira.

Hoje não é mais luxo uma pessoa utilizar e dominar os serviços disponíveis na internet. Um dos fatores primordiais por trás do recente crescimento desta rede é a disponibilidade de novos serviços de diretório, indexação e pesquisa que ajudam os usuários a descobrirem as informações de que precisam com o uso da internet.

Informática

Primeiro computador da Apple: praticamente uma máquina de escreverA história da moderna informática tem início em 13 de fevereiro de 1946. Nesse dia é ligado o segredo militar mais preservado da segunda guerra mundial: o Eletronic Numerical Integrator and Computer (Eniac), o mais antigo computador digital que se tem notícia entra em operação.

Desenvolvido desde 1943 por John Mauchly, que criou o projeto lógico e J. Presper Eckert, responsável pela engenharia, o Eniac foi projetado para realizar cálculos balísticos. Possuía 17.468 válvulas a vácuo e seis mil computadores manuais. Pesava cerca de 30 toneladas e ocupava uma área de 160 metros quadrados, efetuando a adição de dois números de 12 algarismos. Consumia ainda 150 kilowatts, energia suficiente para escurecer a cidade da Pensilvânia. 

Quando ligado, a refrigeração era feita por ventiladores domésticos. Longe de aparentar-se com uma máquina atual, o Eniac foi utilizado para calcular a exeqüibilidade dos planos da bomba atômica. 

Iniciando com a geração da válvula, transistores aos modernos chips, com o tempo os computadores ficaram cada vez melhores, mais potentes e rápidos. Enquanto o Eniac parecia um dinossauro, atualmente os "computadores miniaturizados" cabem na palma da mão (Palm Top).

Quarto poder

Deixando os computadores e seus modernos recursos, podemos dizer que o meio de comunicação ou mídia acompanha as tendências da época, refletindo e auxiliando no cotidiano de seu usuário. Um exemplo disto é a imprensa, considerada o "quarto poder", numa alusão aos três poderes das repúblicas modernas e a influência dessa forma de comunicação desde os tempos de Gutenberg. 

No Brasil, os primeiros órgãos de imprensa surgiram ainda no tempo da monarquia. No reinado de João VI foi criada a chamada "imprensa régia" e já no início do governo de Pedro I circulou o primeiro jornal brasileiro. Este foi também considerado a primeira revista brasileira, impresso em Londres, uma vez que era de oposição ao regime absolutista do imperador.

Aguçando os sentidos, por que não relaxar ouvindo uma emissora de rádio? A narração de um jogo de futebol, os acontecimentos do dia, oferecer uma música para o coração apaixonado e vice-versa. Seja a emissora AM ou FM o rádio alcançou um lugar no coração brasileiro. 

Em seus primórdios, foram os contos e as radionovelas com seus efeitos especiais, num senso nostálgico, que alegraram o coração de muitos ouvintes. Em 20 de novembro de 1922, surge a primeira emissora comercial do planeta, a Weaf, de Nova York e um ano depois é realizada a primeira transmissão de rádio em cadeia no mundo. 

No Brasil, a primeira estação de rádio foi instalada no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações do centenário da Independência com o discurso do presidente Epitácio Pessoa. Neste evento seguem-se emissões de música lírica, conferências e concertos, captados pelos 80 aparelhos de rádio distribuídos pela cidade. Após as festividades, as transmissões são interrompidas. Típico.

Era o dia 30 de outubro de 1938. Pânico toma conta dos Estados Unidos. O cidadão comum pega em armas e forma grupos de resistência. Alguns preferem tentar o suicídio, enquanto outros decidem aproveitar ao máximo os seus últimos instantes. A população apavorada acompanhava, pelo rádio, a cobertura ao vivo da invasão da Terra por extraterrestres. 

Não, não havia invasão alguma, mas a adaptação de A Guerra dos Mundos, que Orson Welles levava ao ar naquele dia. Depois de desculpar-se, Welles torna-se rapidamente uma celebridade e é convidado pela RKO para trabalhar no cinema.

Este é o poder do meio de comunicação. Não sabemos o que o futuro reserva. Dos tambores da selva aos navegantes da internet, da família Flintstones aos Jetsons, cada período da história demonstra que as tendências da comunicação refletem a busca em sua inter-relação.


*NR: Segundo o artigo "Informação no Século XXI", do livro Liberdade Vigiada, apenas em 1988 ocorreu a primeira conexão da internet no Brasil, entre o Laboratório Nacional de Computação Científica e a Universidade Maryland, nos Estados Unidos.

                   

criação: lisandro staut