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Os
ditames da comunicação
Victor Drummond
Em toda a história da humanidade, encontramos pessoas especialistas em estar além de seu tempo. Estão sempre de olho no futuro, no que pode aparecer em termos de
invenções e como serão as mudanças que provocarão.
Isso ocorre porque o homem tem uma inquietação quanto ao que sucederá ao universo em que vive e as coisas pertinentes ao cotidiano. As invenções e a própria Comunicação Social são uma maneira de poder controlar esse cotidiano.
Mas no passado, quais eram as expectativas das pessoas em relação ao futuro da comunicação? Qual a visão que as pessoas
tinham em relação às diretrizes que a Comunicação Social pode tomar?
Deve-se levar em conta que os homens sempre estiveram em busca do novo. Querendo sempre inovar, num constante sentimento de insatisfação com o existente. Na atualidade, diria que o provocador é a arte de "enfeitiçar" as pessoas para que assimilem ou busquem o novo,
técnica muito bem dominada pelos publicitários.
Inventos que mudaram o mundo
A primeira máquina inventada por seres humanos para substituí-los num trabalho intelectual foi o ábaco, provavelmente conhecido na antiga Babilônia por volta
do ano 5.000 a.C. A humanidade levou cerca de sete milênios para progredir
deste primitivo engenho usado para fazer cálculos ao moderno computador digital. Durante todos esses anos, o homem não descansou até a chegada dos modernos softwares que transformam a realidade em fantasia por meio das mídias.
Segundo o jornalista Flávio Prado, em Ponto Eletrônico, desde o século XIX, muitos homens sonhavam com um aparelho que transportasse som e imagem a longas distâncias. As primeiras experiências foram de um barão na Suécia em 1817.
Ainda no mesmo século, o alemão, Rodolf Hertz, conseguiu desenvolver o transporte de som por meio de ondas. Paul Nipkow, também alemão, começou a trabalhar no desenvolvimento de um aparelho capaz de captar imagens. Wladimir Zworkin, russo naturalizado americano, patenteou algo muito próximo do que viria a ser a televisão.
De alguma maneira, as civilizações sempre tiveram consciência da revolução tecnológica que processaria e levaria maior desenvolvimento da comunicação, que, por sua vez, gerou uma visão mecânica e pragmática. Um modelo ou conjunto de formas básicas e dominantes de compreensão e uma sociedade capaz de perceber, pensar, acreditar, avaliar, comentar e agir de acordo com uma visão particular. E, como já disse, uma visão que busca
inovar e "adivinhar" os rumos que a comunicação tomará.
Depois que surgiu a televisão, por exemplo, o homem não se contentou, criou inúmeros recursos e inovações que pudessem atender a essa visão pragmática. Muitos afoitos chegaram a falar em televisão digital.
O biótipo de TV foi desenvolvido e incrementará ainda mais as maneiras de transmitir informações.
Esta tecnologia, também conhecida por Digital Terrestrial Television (DTT), é um conjunto de normas de televisão digital preparadas para substituir os sistemas de televisão analógicos. Este sistema proporciona uma capacidade muito superior ao analógico, suportando um maior número de canais e outro tipo de serviços adicionais.
A televisão digital tem inclusive gerado algumas polêmicas para o Brasil. O Ministro da Comunicação, Miro Teixeira, quer criar um novo padrão de televisão digital específico para o
Brasil, em associação com a China e Índia. Segundo o jornal O Globo
(12/1/03), "para todo mundo é claro que o
País conta com profissionais bem preparados".
No entanto, para alguns, o desenvolvimento de uma nova tecnologia demandaria muito tempo e dinheiro. E há os que afirmam que a decisão não seria comercialmente interessante num momento em que o
País busca maior participação no mercado mundial. Não faltam os que recomendam ter
cuidado. Muitas vezes, o indivíduo não "adivinha" mudanças para a comunicação moderna e passa a impor o que é conveniente.
O desenvolvimento desta tecnologia de TV digital não foi algo rápido. O sistema europeu, por exemplo, testou em 1991
e somente em 1998 iniciou suas primeiras transmissões. O padrão japonês está em prova desde 1998, e apenas este ano deverá funcionar. No Brasil, ainda não há previsões.
Nossa internet
A revista Época (1º/1/01) informou que "em meados da década de 90, um grupo de garotos da Universidade de Illinois, Estados Unidos, desenvolveu um programa que possibilitava o uso da internet numa linguagem multimídia. Esse programa era chamado de
browser. Ele permitia ao usuário navegar de forma eficiente pelas informações na rede. Nascia a
World Wide Web (…)."
Imprensa e universidades se entusiasmaram com a nova tecnologia. Cinco
anos depois, a web alcançava o número de usuários que a
televisão levou 13 anos para conquistar.
Falando em linguagem www, o inglês Tim Berners-Lee, inventor da World Wide
Web, aperfeiçoador do programa dos universitários de Illinois, acredita que a
Internet passará invisível ao cotidiano. A revista americana
Yahoo! Internet Life, imaginou uma residência totalmente conectada com a rede.
Segundo a revista Época, trata-se de um cenário provável. Tudo será controlado por notebooks e palmtops. Ficará muito mais intenso o poder de manipulação da mídia sobre a
grande massa (se bem que o povão não terá acesso imediato a esse tipo de tecnologia. Mas o jornalismo e a publicidade conseguem atingir a todas as
classes.).
Uma medida que mudará muito os rumos da Comunicação é a aprovação em 2001 da Proposta de Emenda Constitucional que permite a participação de até 30% de capital estrangeiro nas empresas de comunicação brasileiras. "Foi uma grande conquista da indústria da comunicação no Brasil", disse Paulo Cabral, diretor-presidente do
Correio Braziliense e vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ).
Não há como prever todas as tendências deste setor tão complexo. Desta
forma, é importante como comunicadores, ficarmos ligados, observarmos os
rumos que o mercado toma por meio do contato com profissionais que atuam
há mais tempo no setor e em eventos que abordam temas ligados ao assunto.
Muito do jornalismo de hoje nada mais é que uma continuação ou reforço de muitas campanhas
publicitárias. Só para salientar a importância de descobrir o que o mundo da comunicação trará de novidade através destes eventos, vale a pena lembrar que a chamada publicitária para um Fórum a realizar-se na cidade de São Paulo, onde achamos a seguinte frase: "A gente até perdoa a sua ausência. O mercado não".
criação: lisandro staut
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