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Nos
bastidores da denúncia
Vivian Vergilio
O caso Watergate, um episódio de escuta ilegal na sede do partido democrata por elementos ligados ao governo, abalou a história americana. Esse marco foi fruto do trabalho de dois repórteres do jornal
Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein (veja foto), que foram além na invasão do
Edifício Watergate, em Washington.
Os repórteres receberam o Prêmio Pulitzer, que é atribuído por contribuições relevantes no campo de jornalismo, música e literatura. Bob e Carl publicaram o livro
Todos os Homens do Presidente, que foi adaptado para o cinema em
1976, por Alan J. Pakula.
Cinco pessoas foram presas no edifício comercial Watergate com material eletrônico de espionagem. Os cinco homens que invadiram a sede do
Partido Democrata, de oposição ao governo de Richard Nixon, eram ex-membros da CIA (Agência Central de Informações), que haviam participado de outras operações secretas durante o governo de John Kennedy.
A espionagem era comandada por G. Gordon Liddy, ex-agente da CIA, e pelo diretor de segurança do comitê para reeleição do presidente, James McCord. O plano tinha por objetivo descobrir qual a fonte dos vazamentos de informações - daí os integrantes serem chamados de "encanadores". Entre os invasores estavam os ex-agentes
Bernard Barker e Eugenio Martinez, que participaram de operações para a deposição do regime comunista de Fidel Castro.
Os mandantes instalaram um posto de comando num quarto de hotel do outro lado do edifício, onde ficava a sede do partido. Na madrugada de 17 de junho de 1972, cinco meses antes das votações presidenciais, os invasores são denunciados pelo vigia do prédio. São pegos fotografando documentos e checando aparelhos de escuta instalados anteriormente.
O fato foi abafado por falta de provas e a mídia não deu tanta atenção por não haver novidades. Somente o jornal
Washington Post, dirigido pela proprietária Katharine Graham, aprofundou-se nas investigações, a partir de pistas deixadas pelos "encanadores".
Bob encontrou no edifício uma caderneta de um dos invasores. Nela, o repórter
achou o nome do assessor da Casa Branca e a escrita "W. House", que poderia tanto ligar o caso a um bordel
como à mansão presidencial. A informação mais importante foi dada a Woodward, por uma fonte segura da Casa Branca, que ficou conhecida como "Garganta Profunda".
Espionagem
A pretensão do governo era acabar com a Guerra do Vietnã e com as dissensões no país. Para isso, Nixon
propôs a união da CIA e do FBI para aumentar a espionagem interna.
No plano do presidente, telefones poderiam ser grampeados, casas invadidas e correspondências violadas.
Contudo, a estratégia era contrária à filosofia da CIA e do FBI.
Assim, Nixon não recebeu o apoio de J. Edigard Hoover, diretor do FBI. Não porque o fato fosse ilegal, mas porque Hoover temia que o caso caísse no conhecimento público. Caso isso acontecesse, afetaria a agência que ele levara anos para construir.
Contrário às exigências do presidente, Hoover se alia a Richard Helms, diretor da CIA, que orienta ao presidente o embaraço que este plano causaria ao governo caso fosse descoberto. Hoover morre em maio de 1972 e seis semanas depois o plano é executado. Neste período, uma série de pedidos de demissão acontece.
Mesmo com a prisão e a sentença dada aos invasores, Nixon é reeleito. Mas o
Washington Post prossegue com as investigações e o Congresso abre um processo de
impeachment contra Nixon. A ação penal terminou com a condenação dos sete funcionários mais importantes do governo, entre eles o secretário da Justiça, John N. Mitchell, o chefe da
Casa Civil, H.R. Haldeman, e o assessor de Nixon, John D. Ehrlichman.
Nixon é apontado como co-conspirador não-indiciado. Para encobrir o plano, o presidente convocou a segurança nacional pela invasão
dos portos, em que a CIA estava envolvida diretamente. O esquema exigia a cumplicidade da CIA, mas este plano não foi acatado por
Helms. Nixon assumiu dificultar as investigações e pediu sua renúncia. Gerald Ford assume o poder e concede o perdão presidencial a Nixon.
O caso Watergate projeta o Washington Post como um jornal compromissado com a verdade, saindo da sombra do
New York Times. O faro jornalístico de Bob Woodward e Carl Bernstein mudou a história do povo americano e mostrou até onde se pode chegar na luta pelo poder.
criação: lisandro staut
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