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Investigação ou bajulação?

Vanessa Candia

O jornal Última Hora foi criado no ano de 1951. Dirigido pelo jornalista Samuel Wainer, tinha como objetivo defender os objetivos do governo getulista e oferecer notícias de interesse "popular". 

Tamanha foi a aceitação do público, que o periódico alcançou cerca de 130 mil exemplares, com um ano de circulação. Levando-se em conta que Wainer era amigo pessoal de Getúlio, fica difícil desassociar o interesse apenas "informativo" do veículo.

Essa desconfiança se tornou maior quando o jornalista e inimigo político de Getúlio, Carlos Lacerda, acusou o governo de conseguir um empréstimo ilícito de 250 milhões de cruzeiros antigos, do Banco do Brasil, o que lhe rendeu uma CPI em 1950. Vale ressaltar que Lacerda era dono do jornal Tribuna da Imprensa, que se tornaria forte concorrente de Wainer.

A Última Hora seguia uma linha editorial abordando assuntos de interesse populacional, como futebol e notícias policiais. As matérias enfocavam sempre os fatos que favoreciam o governo e investigavam possíveis tramóias e falcatruas dos adversários políticos.

Em 1961, o jornal empregava aproximadamente 1.500 funcionários e uma tiragem de 350 mil exemplares. Eram feitas dez edições diárias para atender o público dos seis estados: Guanabara, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.

O jornal inovou dedicando maior espaço para imagens e usando cores. Diferenciava-se pela diagramação e pela criação de uma editoria regional. Valorizou também o salário dos jornalistas, que neste período pertenciam a uma classe malvista pela sociedade.

Paulo Silveira, redator e que mais tarde se tornaria diretor da Última Hora, disse que "a grande contribuição do jornal foi ter estabelecido uma nova forma de comunicação entre o leitor e o jornal".

Wainer teve seus direitos políticos cassados e teve que fugir para a Europa, passando a direção ao advogado Heriberto de Miranda Leão. Este permaneceu até o ano de 1965, passando o cargo para Danton Jobim.

O jornalista negociou a venda do jornal para Otávio Frias de Oliveira, proprietário da Folha de S. Paulo, em 1972. Wainer trabalhou como articulista até a sua morte, em 1981.

O veículo já estava perdendo seu prestígio desde o golpe de 1964. Com a venda, enfraqueceu ainda mais, até que finalmente foi dado como morto, em 26 de julho de 1991, Deixou uma dívida de aproximadamente 450 milhões de cruzeiros, finalizando, assim, sua última hora.

                    

criação: lisandro staut