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O Jesus da Renascença
Adriano Luz
Na
maioria das vezes em que se fala de Cristo, seja nos telejornais ou em diferentes meios de comunicação,
são expostas imagens de um homem sereno com a mão direita sobre o coração, olhar obtuso para o alto e uma auréola em torno da cabeça. Essas são as imagens mais puritanas captadas e geralmente vinculadas a alguma festividade católica. Os protestantes, no entanto, utilizam uma imagem mais humanizada,
em que Jesus se encontra junto com outras pessoas.
Tal divinização e humanização de Cristo são conseqüências de pensamentos da Idade Média e do Renascentismo. Tais pensamentos são inferências à cultura e às idéias vividas na época e que, se expressaram fortemente na política, na literatura e nas artes - música, escultura e pintura.
O Brasil é um resultado do Renascimento. Sem uma compreensão deste movimento, se torna difícil entender as raízes do Brasil. Ele é, sobretudo a valorização do ser humano. A civilização medieval foi no bojo teocêntrica, enquanto em contraponto a esta, a renascentista foi antropocêntrica.
O Renascentismo vem incorporar o mundo antigo ao mundo moderno. Há uma volta às formas estéticas antigas, à antiguidade clássica, isto é, greco-romana. O culto dos modelos antigos, especialmente no plano estético, vai caracterizar o Renascimento. A sociedade quer renascer e por isso abandona a idéia de divinizar algo e torna o objeto a ser caracterizado mais humano e próximo, algo palpável.
O herói da vez é o próprio homem racional.
O mundo passou por profundas reformas de conceitos que abalariam a fé dos crentes com os pensamentos humanistas da renascença. Um dos grandes
filósofos da época foi Friedrich Nietzsche. Ele exalta a Renascença como o ponto mais alto da evolução estética do mundo.
Na pintura também se encontravam traços profundos desses pensamentos. Na Idade Média, a pintura exprimia uma concepção bidimensional do espaço, isto é, não há muita luz e existe uma ausência de ação de movimento. O ambiente no seu todo é extraterreno, celestial. A arte é serva da teologia; tudo revela uma concepção teocêntrica do mundo, da vida, dos seres e das coisas.
A pintura do renascimento, ao contrário, é de índole antropocêntrica. Significa o aparecimento do individualismo, a descoberta do homem e da natureza. Em numerosos quadros, o Cristo e a corte celeste são trazidos a terra e pintados ao lado do doador ajoelhado.
Hoje, vive-se mais uma vez o movimento humanista racionalista. Mas só que dessa vez reformulado, com um novo fulgor, tirando os defeitos existentes em sua teoria. Hoje é a união do racionalismo e da força,
quando o homem resolve todas as coisas. O poder não vem das cortes celestiais, mas sim da persuasão, por meio da força, embargos políticos e sanções.
Esse é o motivo pelo qual se vinculam imagens de um Jesus sem muitos atributos divinos.
Neste novo Jesus, o crente só pode buscar conforto psicológico e sentimental, em vez de uma fé em milagres. Para isso, faz-se necessário recorrer às forças humanas dominadoras e opressoras.
criação: lisandro staut
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