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Jesus e a literatura 

Delaine Rodrigues

Existem autores que, acima de tudo, escrevem com o profundo sentimento de liberdade. Suas histórias, sua linguagem e seus personagens aparecem sobre as páginas de uma maneira inusitada, livre e aberta.

Alguns destes autores ilustram suas personagens dentro da liberdade que possuem, de forma respeitosa. Outros, porém, usufruem desta liberdade de maneira crítica, fundamentados em teorias criadas por si próprios.

Assim é que muitos literários representam em suas obras a pessoa de Cristo. Em sua maioria, eles não acreditam que Jesus Cristo foi (e continua sendo) como o ser descrito na Bíblia.

Há exceções, como os poemas de Gregório de Matos Guerra, poeta do Barroco, século XVII, conhecido popularmente como "Boca do Inferno". Na maior parte de seus poemas religiosos, o poeta se ajoelha diante de Deus, com um forte sentimento de culpa por haver pecado, prometendo remição. Trata-se de uma imagem constante: o homem ajoelhado, implorando perdão por seus erros.

O exemplo mais conhecido de sua literatura sacra é o poema A Jesus Cristo Nosso Senhor. A oração caracterizada pela controvérsia; é ao mesmo tempo contrito e desafiador, humilde e presunçoso.

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, 
Da vossa alta clemência me despido; 
Porque quanto mais tenho delinqüido, 
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

(...)

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, 
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, 
Perder na vossa ovelha a vossa glória.


Ao contrário de Gregório de Matos, que apresentava a pessoa de Cristo como sendo um Ser perdoador, outros literários como, o francês Allan Kardec, apresentam Jesus como um pessoa comum que viveu na antiguidade.

Kardec publicou seu primeiro livro, que daria origem no ano de 1865, ao espiritismo em Avinhão (França). Segundo ele, o conteúdo foi ditado pessoalmente por Jesus. Anteriormente, esta cidade francesa servia como morada de padres, o que para Kardec era um sinal da veracidade de sua mensagem.

Livros "ditados" por Jesus, aliás, não são raros. Pode ser citado também o livro Vida de Jesus Ditada por Ele Mesmo, do fluminense Diamantino Coelho Fernandes. Segundo o autor, a obra contém as instruções necessárias para os novos discípulos de Cristo.

Ficção

Na ficção, Paulo Coelho também associa Jesus a um espírito, uma lenda dos tempos antigos. No romance Brida, de 1990, ele narra a história de uma jovem que se descobre feiticeira. Na obra, Coelho associa a magia como algo que substitui a pessoa de Cristo.

Mas nada se compara ao livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo, do escritor português José Saramago (
veja resenha). A obra segue a mesma linha lógica dos evangelhos, mas repleta de contradições. Somente para mencionar algumas de suas teorias, Jesus não seria filho de Deus.

Mencionando ainda livros sobre Jesus, O Evangelho Segundo o Filho, de Norman Mailer, apresenta a história de Jesus, contada com as palavras do próprio filho de Deus ou seja, por Cristo. Norman descreve Jesus como um homem arrojado e ambicioso.

                    

criação: lisandro staut