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Das
cinzas, renasce Fênix
Ketielly Bahia
Freqüentemente são lançados no mercado novos veículos de comunicação.
Estes nascem como resultado de muitas pesquisas, elaboradas com a finalidade de apurar o gosto do leitor.
Alguns veículos também morrem; outros renascem.
Depois de 116 anos circulando, o Diário Popular deixou de existir e em seu lugar nasceu o
Diário de S. Paulo, que na verdade renasceu. Na década de 60, o nome já existira, mas não se firmou, voltando pouco tempo depois ao nome de origem.
Ocupando a quarta colocação entre os jornais paulistas, o Diário
Popular, cujo público alvo era a classe C, caracterizava-se por noticiar o cotidiano da cidade de São Paulo. Embora também abordasse fatos nacionais, seu forte era a editoria de cidades. Durante muito tempo, seu maior concorrente foi a
Folha da Tarde, do Grupo Folha. Este também deixou de existir, ocupando seu lugar o jornal
Agora.
Diariamente, circulavam cerca de 120 mil exemplares do Diário Popular
e no domingo, 140 mil. O veículo era impresso basicamente em preto e branco.
O Diário ficou conhecido como um jornal que valorizava mais o texto e menos a imagem. Talvez por esta razão, ocupasse apenas 5% do mercado publicitário, enquanto O Estado de S. Paulo e a
Folha de S. Paulo dividiam 80% do segmento. Com a compra do veículo pelas Organizações Globo, essa situação tinha que mudar.
Pesquisas feitas a pedido dos proprietários afirmavam que, as agências de publicidade também não simpatizavam muito com a palavra "popular" e isso de alguma forma prejudicava o jornal. A idéia dos editores não seria apenas mudar o nome, mas também criar um jornal com um texto mais leve, com maior ênfase no noticiário local, que atingisse a classe B e que tivesse uma maior circulação: cerca de 300 mil exemplares (o que ainda não foi alcançado).
Foi num clima festivo na manhã do dia 23 de setembro de 2001 que renasceu o
Diário de S. Paulo. Muitos foram conferir a nova versão do jornal, entre eles curiosos e também leitores fiéis que recordavam desde a primeira versão do jornal, quando ainda fazia parte dos
Diários Associados, do jornalista Assis Chateaubriand.
Quem viu aprovou a idéia, principalmente o novo visual; mais colorido e com uma maior facilidade de identificar as notícias. Atualmente, jornal Diário de S. Paulo é um dos mais lidos em São Paulo, entre os de cunho mais popular.
Globo Ciência
Mas nem todo mundo consegue esperar um século ou mais para realizar mudanças, às vezes nem mesmo uma década. Não tão antiga como o Diário
Popular, mas por motivos bem semelhantes, a Editora Globo, após meses de pesquisas, optou por mudar o nome da revista
Globo Ciência, que seguia um perfil editorial semelhante ao programa de televisão.
Estratégias de marketing e a possibilidade de uma ampliação do leque de temas tratados abrangiam os reais motivos da mudança de nome. A revista nasceu em agosto de 1991 e durante sete anos divulgou mensalmente assuntos científicos e tecnológicos.
A edição de n.º 85 da Globo Ciência (8/98) marcou tanto a entrada de oito anos de existência, como também o encerramento do período de vida da revista. No próximo mês, nasceria a
Galileu, a nova versão da velha revista. Galileu também tinha como função divulgar a ciência, porém, para um público mais leigo.
A revista Galileu apresenta um perfil mais didático, buscando atingir leitores em idade escolar. Com cerca de 170 mil exemplares distribuídos mensalmente, abrange temas como religião e curiosidades e que fogem às ciências, mas sempre buscando analisar sob um ponto de vista científico. Além de mais ilustrada, apresenta um conteúdo editorial mais amplo do que a antiga revista.
Alguns veículos de comunicação realmente nascem, outros apenas renascem,
como é o caso do Diário Popular e da Globo Ciência. Talvez por que o velho seja velho demais; noutros apenas por renovação.
Como Fênix.
criação: lisandro staut
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