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Apunhalada
pelos milicos
Carolina
Riguengo
Em meados de 1960 nascia a TV Excelsior. Comandada pelos Simonsen, uma família requintada que também
era proprietária da empresa aérea Panair, a TV Excelsior passou como um cometa pela televisão brasileira: rápida e atraente para todos os
espectadores.
Com apenas seis meses de existência se tornou a pequena notável da televisão e já liderava a audiência. Foi da criatividade dos diretores da Excelsior que surgiu o famoso
"top" de cincos segundos para o início de programações, e também o "modelo básico" das emissoras no horário nobre: novela - jornal - novela. Tamanho era o poder da emissora que, se ainda estivesse no ar, seria motivo de forte preocupação para a Rede Globo.
O elenco era formado pelos mais conceituados atores e humoristas como Jô Soares, Glória Menezes, Tarcísio Meira, Regina Duarte, Bibi Ferreira e outros. Artistas da música como Tom Jobim e Chico Buarque, enfim,
eles sabiam em quem investir.
O ápice da TV Excelsior era o Jornal da Vanguarda que misturava show, encenação e notícia
numa maneira única, e conquistava seu pico de audiência devido a sua crítica e análise.
A sede ficava no Teatro Cultura Artística, mas com o passar do tempo o espaço foi se tornando pequeno. Decidiram mudar e foram parar na Vila Guilherme. No entanto, por algum motivo que permanece oculto até hoje, na inauguração dos novos estúdios um incêndio destruiu quase tudo.
Mas, como diz o ditado que "desgraça pouca é bobagem", veio o golpe militar e o Jornal da Vanguarda foi retirado do ar devido ao AI-5. Para as "noveleiras" de plantão daquela época, a história de amor Redenção (1966-1968) não terminou até hoje. Após 596 capítulos se transformou na telenovela mais longa de toda a história da televisão brasileira.
O que parecia um conto de fadas virou uma história de terror. A família Simonsen não viu outra saída a não ser vender a emissora para o grupo Folha da Manhã, que pertencia a
Octavio Frias, pois a emissora havia acumulado muitas dívidas e a censura feita pelo governo estava cada vez pior.
Mas o que pôde ter sido o principal motivo para a falência da emissora foi o "desafeto" com os militares e o "afeto" com opositores do regime militar. Enquanto as emissoras concorrentes faziam de tudo para agradar o governo, a Excelsior lutava, mesmo que discretamente, pela já tão sonhada - desde os mais remotos tempos - democracia. Mas o estrago feito pelo Estado
à emissora foi calculado aos poucos.
Todo veículo precisa manter boas relações com o governo para obter serviços, que na maioria são os mais bem pagos, e com isso
sobreviver. No caso da Excelsior, os "investimentos" do governo foram retirados e,
juntando-se a isso incêndios e maquinários desaparecidos, os donos da Excelsior se viram obrigados a
fechar as portas. A ditadura tinha dado a punhalada final para a morte da
emissora.

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