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Sangue,
suor e escravidão
Jeanne
Moura
A Cidade do
Rio, periódico fundado em 1887, foi um dos mais importantes veículos abolicionistas. Defendido, inclusive, por diversos setores da sociedade. Seu fundador foi José do Patrocínio que contribuiu com a sua história para o desenvolvimento e repercussão de um ideal. É quase impossível desvincular esse periódico de José do Patrocínio.
José do Patrocínio é conhecido como o jornalista da abolição, ou o maior deles como afirmam seus biógrafos. Nasceu em 1853, e foi expectador da época em que os negros eram protagonistas da dúvida entre a liberdade e a escravidão. Filho de um padre com uma quitandeira sentiu de perto os dilemas e a dor da vida cruel dos escravos brasileiros.
Com a formação primária mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como servente de pedreiro até se formar em farmácia. No ano de 1875, descobriu sua real vocação, o jornalismo. Começou então, a atuar no jornal satírico
Os Ferrões. Autor de textos requintados e adoçados com sua sagaz ironia foi convidado para ser redator do jornal
Gazeta de Notícias, onde tinha uma coluna, a "Semana Parlamentar", na qual assinava com o pseudônimo "Prudhome". Foi nesse veículo que iniciou o processo da abolição.
Seus companheiros de trabalho foram jornalistas como Ferreira de Meneses, Joaquim Nabuco, Teodoro Sampaio, Paula Nei, entre outros. José do Patrocínio foi autor de artigos entusiásticos, mas sua atenção maior estava voltada para a libertação dos escravos. Foi quando preparou e ajudou a fuga de negros, angariou fundos para alforrias e promoveu inúmeros comícios e manifestação de conscientização na esperança de alcançar a liberdade.
Em 1881, assumiu a direção da Gazeta de Notícias, após a morte de Ferreira de Meneses. Porém, desistiu desse veículo para
fundar A Cidade do Rio, com auxílio financeiro do sogro.
A Cidade do Rio conquistou o apoio dos jornalistas e oradores abolicionistas mais respeitados. Foi no veículo que nasceram os maiores nomes do jornalismo da época. Com o tempo, e o atrevimento de José do Patrocínio, o jornal se tornou representante da monarquia ante o povo.
Após a proclamação da República, Patrocínio foi convencido pelas propostas de mudanças oferecidas pelo governo do País para a sociedade brasileira. Foi acusado pelos monárquicos por não possuir uma opinião própria, e demonstrar certa dúvida com relação a posição que buscava defender.
Floriano Peixoto foi alvo das duras críticas de Patrocínio, que o chamou de ditador de plantão. O marechal, em resposta ao atrevimento do redator, expulsou-o do Rio de Janeiro, mandando patrocínio para a Amazônia.
Timidamente, no ano de 1893, Patrocínio retornou ao Estado do Rio de Janeiro, onde encontrou A Cidade do Rio fechado. "Marechal de Ferro", como também era conhecido Floriano Peixoto, ordenou que a redação fosse fechada, o que confirmava o artigo de Patrocínio no qual apontava o ditatorialismo de Floriano Peixoto.
Patrocínio foi encurralado pela pobreza. Foi morar num subúrbio e transformou um barraco, em seu novo lar. Porém, não era o fim do sonho. No dia 13 de maio de 1898, seu maior objetivo foi cumprido: a Lei Áurea foi assinada. Seu nome recebeu as glórias da multidão que, como ele, sonhava com a liberdade, o fim da escravidão e a esperança de um cenário menos sofredor para as gerações futuras. A esperança de protagonistas mais realizados e expectadores mais satisfeitos.

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