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Restaurando a Santa Sé

Larissa Jansson

Terminadas as guerras napoleônicas, a Europa entrou num momento de grandes agitações e mudanças políticas. O Congresso de Viena estabeleceu novas formas de governo, estados e alianças, contudo, de forma arbitrária. O resultado foi a revolta dos povos sem poder de escolha, submetidos a essas decisões.

A Itália ficaria dividida da seguinte maneira: cinco estados subordinados à Áustria, os estados pontifícios - de propriedade da igreja, com a capital em Roma e governados pelo papa - e o reino das duas Sicílias, de domínio dos Bourbons.

Surgiram movimentos patriotas com o objetivo de unificar a península restaurando a Itália e a restituindo à posição que ocupava diante de outras nações no passado. A monarquia constitucional foi o sistema de governo adotado.

Por meio de guerras e plebiscitos, o estado italiano foi recebendo forma, mas os territórios sob domínio austríaco de Trieste e Trento só seriam definitivamente conquistados com o fim da I Guerra Mundial. Contudo, ainda faltava anexar os estados da igreja, ao que o papa Pio IX se opôs, com apoio do império francês. Durante algum tempo ele protegeu a Santa Sé. 

Mas, em face à guerra franco-prussiana, o imperador Napoleão III viu-se forçado a retirar seu apoio ao pontífice deixando o caminho livre para que o rei italiano, Vítor Emanuel, finalmente incorporasse os territórios e começasse uma crise com a igreja, conhecida como a "Questão Romana". Durante esse período (1870-1929), a igreja rompeu relações com o estado italiano, recusando-se a reconhecê-lo, e os papas se declararam prisioneiros no Vaticano.

Em 1929, a crise chegava ao fim. Em 11 de fevereiro, Benito Mussolini representando o rei Vítor Emanuel III e o cardeal Gaspari - que representava o papa Pio XII - assinaram um acordo em que a Santa Sé reconhecia o estado italiano, cedendo a este todas as terras dos estados pontifícios. A Itália reconhecia o Vaticano como país independente dentro da cidade de Roma e o papa como soberano, cedendo a igreja de São Pedro para ser a sede oficial da Santa Sé; e confirmava também o catolicismo como a religião oficial da Itália - decisão revogada em 1984 -, cujo ensino dogmático era obrigatório nas escolas primárias e secundárias.

O documento garantia que a igreja fosse reconhecida perante a legislação internacional, mantendo relações diplomáticas com outras nações. O papa não era apenas um líder religioso, mas também chefe de Estado. Catedrais, como a da Sé, na cidade de São Paulo, são territórios do Vaticano, segundo as leis daquele país. Sua economia é basicamente oriunda de doações de igrejas subordinadas de todo o mundo e também do turismo. A guarda suíça é responsável pela segurança do país.

O Tratado de Latrão significou uma vitória importante para a igreja romana, após uma fase de crises e conflitos que abalaram sua hegemonia. Sua assinatura ajudou a restaurar aos poucos sua popularidade e força, necessárias para influenciar, mais tarde, importantes acontecimentos políticos, como a queda do comunismo..