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Tudo
começou com um "quack"
Giancarlo
Sorvillo
Os desenhos e as figuras sempre estiveram presentes desde os mais primórdios tempos. Conhecemos muito uma pessoa apenas olhando os desenhos que faz. Podemos conhecer os hábitos e a vida de um grupo através de figuras deixadas. Um dos maiores exemplos é a famosa caverna de Lascoux, na França, repleta de figuras de animais e atividades das quais participavam. Esses desenhos mostraram ao mundo a incrível capacidade humana de comunicação, expressão e arte.
Incrível também foi o nascimento da editora Abril, cuja marca não se
deu com um choro, mas sim um "quack"! Em 12 de julho de 1950, um pato tomou conta da vida de milhares de brasileiros e fez parte da infância de muitas crianças. A primeira edição da revista
O Pato Donald invadiu as bancas do território nacional com uma tiragem de mais 87 mil exemplares e conquistou, definitivamente, todos que liam as histórias do pato e de outros personagens de Walt Disney. Até mesmo os adultos se tornaram leitores fiéis da revista.
No começo, as revistas eram bem diferentes das atuais. Por causa de limitações técnicas, apenas oito páginas saíam coloridas e as outras histórias saíam em verde escuro ou preto e branco. Uma das seções da revista chamava-se "Aventuras da vida e do mundo", em que eram trazidas informações sobre a natureza e curiosidades sobre os animais do mundo. O mais interessante era a linguagem utilizada pelos personagens: evitava-se gírias e expressões coloquiais. Uma linguagem castiça e cheia de formalidades era característica marcante na revista. Ao mesmo tempo em que a revista divertia, ela também informava. E em certas histórias, lições de moral eram passadas aos leitores.
O sucesso de Pato Donald foi praticamente imediato abrindo portas para revistas de outros personagens Disney, como o Mickey. Almanaques de histórias começaram a ser feitos, e a Editora Abril viu seu poder de divertir e abrir largos sorrisos em crianças e adultos aumentar cada vez mais. Entretanto, os personagens Disney não serviram somente para divertir as crianças, mas também para ensiná-las. Em 1972, foi lançada a
Enciclopédia Disney. Composta por nove volumes trazia narrativas de personagens Disney cheias de conhecimento histórico, natural, mecânica, arquitetura e química.
Seguindo essa linha, a editora também lançou uma série de manuais temáticos como:
Manual de invenções do Prof. Pardal, em que era ensinado como fabricar um rádio e até um mini-telescópio; o
Manual do Escoteiro-Mirim era uma verdadeira miscelânea de conhecimentos históricos e práticos, desde história do Brasil até a linguagem dos surdos-mudos. O
Manual do Automóvel trazia conhecimentos históricos dos carros, leis de trânsito e noções de mecânica.
Diversão e educação foram a fórmula perfeita para o sucesso da infante Editora Abril. Desde então, as revistas Disney não pararam de crescer e conquistaram cada vez mais crianças e adolescentes. Os desenhos se desenvolveram e o formato das revistas também foi mudando. O argentino Luis Destuet foi o pioneiro dos quadrinhos Disney na América do Sul. Depois dele, vieram outros que transformaram a infância de muitos adultos que, ainda hoje, lembram com nostalgia os tempos em que se divertiam e aprendiam com as revistas e livros Disney. Se para Walt Disney "tudo começou com um rato", para a Editora Abril "tudo começou com um pato".
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