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Bom enquanto durou

Larissa Jansson

A Marvel Comics ou a "Fábrica de Idéias", famosa editora de quadrinhos norte-americana, nasceu em 1930 com sede em Nova York e já adotou nomes como Atlas e Timely Comics. Sua primeira publicação foi às bancas em 1939. Atualmente, possui catalogados mais de 4.700 personagens. 

No Brasil, as publicações Marvel existem desde 1962 e passaram por várias editoras - como a EBAL (Editora Brasil-América Limitada); GEP(Gráfica Editora Penteado); GEA(Grupo Editor Associados); RGE(Rio Gráfica e Editora, atual Editora Globo); Bloch e outras, antes da editora Abril - que já publicava alguns títulos desde 1979 - adquirir os direitos de publicação.

Durante 22 anos, a Editora Abril foi responsável pelas publicações da Marvel em terras brasileiras publicando títulos como Capitão América, Heróis da TV, Superaventuras Marvel, Grandes Heróis Marvel, Homem-Aranha, X-Men, O Incrível Hulk, Wolverine, Quarteto Fantástico, entre outros.

As histórias eram diferentes de tudo o que já tinha sido publicado. Eram explorados aspectos como a vida pessoal e características psicológicas das personagens, estabelecendo uma identificação dos leitores com os heróis ou vilões. 

Peter Parker (Homem-Aranha), Logan (Wolverine), Hulk, Tempestade, Magneto e tantos outros, possuem traços de caráter, traumas e problemas psicológicos que deixam as histórias muito mais interessantes, dando ao leitor oportunidade de captar um contexto que vai muito além da ação, compreendendo as ações das personagens, sejam elas do bem ou do mal. 

Outro aspecto que garantiu o sucesso da editora foi a concepção do universo em que as histórias se desenrolavam: era relativamente mais próximo da realidade, mesclando elementos desta (como cidades, personalidades políticas, acontecimentos reais que têm reflexo no mundo dos super-heróis) com a ficção. 

Durante as décadas de 1980 e início de 1990, a Editora Abril já detinha os direitos de publicação da maioria dos personagens da Marvel Comics, Image Comics e da DC Comics, sendo a maior editora de quadrinhos do Brasil.

Até 1990, os quadrinhos reinavam absolutos ao lado da televisão no terreno da diversão infanto-juvenil. Mas a chegada de novas opções como o videogame, internet - só para citar os principais - transformaram o perfil de possíveis leitores. Esses começaram a consumir outras formas de entretenimento, enquanto o grupo dos antigos leitores envelhecia. O resultado foi uma crise na indústria dos quadrinhos com uma retração de 30% no mercado, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

A Abril, então, passou a investir em estratégias de marketing quando percebeu que, apenas preços baixos e distribuição maciça em território nacional não eram suficientes para manter seus leitores.

Buscando o ressurgimento

Como resultado dos esforços das editoras para conquistar novos leitores, novas publicações foram lançadas e outras reformuladas. A Abril Jovem passou a publicar apenas cinco títulos mensais: Homem-Aranha, X-Men, Grandes Heróis Marvel, Batman e Superman, que juntos formaram a série Premium. Por um lado, essa nova etapa foi marcada pela qualidade gráfica superior - em edições com formato americano com aproximadamente 26 x 17 cm, papel de luxo, capa em papel cartão plastificado, lombada quadrada e 160 páginas - e maior número de páginas. Mas, por outro, o preço - que aumentou devido ao encarecimento do papel - desagradou a maioria dos leitores. Os últimos esforços para manter a Marvel mostrou-se um fracasso.

No final de 2001 veio a notícia: A Editora Abril não publicaria mais as revistas da Marvel. A italiana Panini, detentora dos direitos da Marvel em nível mundial, não quis renovar o contrato com editora brasileira e assumiu a publicação das revistas a partir de 2002.

Sérgio Figueiredo Pinto, na época redator-chefe e gerente de licenças da Abril, declarou que "ao contrário do que foi mencionado em alguns veículos de comunicação, a linha Marvel está sendo interrompida pela Abril, não devido aos resultados de vendas, o desempenho em bancas ou a aceitação do público. O contrato não foi renovado por uma decisão da Panini, após um desentendimento comercial sobre a distribuição de suas figurinhas no Brasil".

"A Editora Abril se sente muito orgulhosa de ter trabalhado com a Marvel desde 1979, e tem absoluta certeza que colaborou muito para estabelecer as bases do que a Marvel é hoje no Brasil. A Panini está herdando um público que foi formado ao longo de muitos anos, depois dos fracassos da Ebal, Bloch e RGE (atual Editora Globo). Onde elas falharam, a Abril foi vitoriosa".