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Ele
era um bom camarada!
Ana Carolina Riguengo
Garoto com a imaginação mais fora do comum do que
Doug Funny, os criadores de desenhos animados ainda não inventaram. Exibido pela TV Cultura e Nickelodeon, nem mesmo o Bob com seu "mundo fantástico" ultrapassa a imaginação fértil de Doug
Funny.
Doug pode ser considerado um garoto comum, com seus devaneios fora do comum. Ele gosta de extravasar os seus sentimentos e expor todos os seus conflitos - típicos de todo adolescente - em um diário. Esta é a saída que os adolescentes encontram para desabafar seus anseios e contar suas tristezas sem que ninguém o critique ou "zoe" com ele.
Mas além de ter um bom relacionamento com a família que, aliás, é um dos pontos que faziam de Doug Funny um bom desenho, ele tem um grande amigo com quem pode contar: Skitter Valentine.
Além dele, há também o Costelinha, seu cachorro de estimação - que além de cão é um artista e ainda vira super-herói.
Toda boa história sempre tem, pelo menos, um affair. Entre realidade e devaneios, Doug tem em Patty Maionese, uma adolescente bondosa e estudiosa, o seu "sonho de consumo". Doug nunca namorou Pattty, mas se contenta em ter a amizade dela.
Até mesmo quando o bad boy da turma, Roger Klotz, tenta incomodá-lo - como sempre, diga-se de passagem - Doug resolvia as coisas da maneira mais pacífica possível. Nunca houve agressão física ou verbal neste desenho.
Se para desabafar Doug usa um diário, seu refúgio para os problemas é usar sua imensurável imaginação e transformar-se em homem codorna, que usava um cinto na cabeça e a cueca pra fora da calça, sempre acompanhado do "cãodorna". Depois de virar homem codorna, Doug passava de garoto comum para um herói. Sempre resolvendo tudo de maneira honesta e sem sangue, sem pancadaria. Para vencer seus medos e inimigos, Doug usava a inteligência.
A amada Patty Maionese é uma garota incrível, sensível e muito talentosa na cozinha também. A forma discreta de Patty se comportar, seu sotaque e o modo como joga baseball fazem os garotos ficarem derretidos por ela. Atualmente, não se tem mais explorado a feminilidade da mulher, mas a sensualidade. Patty Maionese não é um personagem sensual, é uma garota que mantêm uma certa distância dos
garotos.
Para dar mais emoção ao desenho, além do affair, tem que ter também um antagonista, e no caso este papel
pertence a Roger Klotz, que é um verdadeiro "teste de paciência" para Doug. Ele se faz de
bad boy - menino grosso, rude, durão - mas na verdade, não passa de um bobalhão que tem medo de mostrar quem é de verdade, por isso usa esta proteção. Prova disto, foi o episódio em que Doug está na escola e encontra uma cobra, que por sinal não era venenosa e a leva pra sala de aula,
onde o valentão virou um "cordeirinho".
Roger se sentia rejeitado, sem amigos e queria se enturmar. Mesmo sendo o "malvado" e encrenqueiro da história, ele também não fazia nada de mal a ninguém a não ser provocar Doug. Ele não era mal intencionado, só queria assustar. Concluindo, ele também não fazia mal ao público
teen.
Costelinha era o animal de estimação de Doug e, pra variar, diferente de qualquer outro cachorro, a começar por sua casinha que é em forma de iglu.
Tem habilidades peculiares como saber jogar xadrez e dançar. Costelinha mostra o valor de uma amizade fiel e desinteressada. Em todos os perigos que Doug enfrenta ele está presente,
seja na vida real ou como o "cãodorna", ele sempre ajuda Doug.
Skitter é um garoto excelente. Sua função é mostrar que um garoto de cor diferente pode ser aceito pela sociedade, mesmo pelos adolescentes que são bem críticos e preconceituosos durante esta fase. Skitter é amigo de
todos, companheiro de todos os momentos e nunca deixa ninguém da turma se sentir excluído. Ele é único. É azul e engasga antes de falar como se fosse um carro velho. Para ele, não tem nada mais gostoso do que andar em círculos e não chegar a lugar
algum. Seu maior sonho é assistir junto com Doug o show dos Beats. O personagem de Skitter tem uma boa estima, coisa que muito adolescente sofre para conquistá-la de maneira estável.
A irmã de Doug, Judy Funny é um tanto quanto singular. Ela é absorta, melodramática, seu sonho é ser atriz e se tornar uma celebridade e, por isso está sempre em meio aos
holofotes. Por esta obsessão pela fama, Doug passa por momentos constrangedores com ela, mas eles se dão bem.
Enquanto fez parte da Nickelodeon, Doug era muito bom. Depois que passou para a Disney, ele perdeu o sentido educativo e foi - é obvio - americanizado. Trocando em miúdos, os fãs do mundo encantado que perdoem, mas, a Disney estragou o desenho.
Enquanto o criador da Nickelodeon fazia de Doug um garoto com boas filosofias de vida, a Disney o banalizou. O filme que a Disney lançou,
Doug's 1st Movie, é completamente fora do conteúdo passado pela Nickelodeon. No filme, Doug desvenda mistérios, única e exclusivamente, para impressionar Patti. A questão do filme é: "Será que Doug revelará os mistérios? Será que Patty finalmente fica com o Doug?".
Aqui no Brasil, o desenho era transmitido pela TV Cultura. É lamentável, mas Doug não faz mais parte da
"telinha". Contudo, a "galera" pode se lembrar de seus episódios e aplicar o aprendizado que o desenho proporcionava.
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