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Diário
aberto
Lízye Rizziolli
"Segunda-feira:
Querido diário, estava hoje na escola 'feliz da vida' quando chegou um garoto novo na minha sala. O nome dele é
André e tem 14 anos também. Mas o problema é que ele foi expulso da escola onde estudava. Estranho não é mesmo?
Terça-feira:
Querido diário, lembra que ontem eu falei do tal André? Pois até que é bonitinho, mas uma falsidade reina nele. Você nem imagina, ele se faz de inteligente e simpático pra cativar todo mundo. Ah, mas a mim ele não engana não. Eu que sou a rainha das bagunças na sala de aula. Não vou querer, nem morta, um rival.
Quarta-feira:
Querido diário, hoje estou meio confusa. Acho o André mais que bonitinho. Ele me encarou a manhã toda na sala de aula. Acho que amanhã tem mais...
Quinta-feira:
Querido diário, não estou sentindo meus pés. Acho que estar nas nuvens é mais que perfeito. Realmente, gosto dele! O melhor é que ele fez todos os trabalhos me olhando. O que será que estou sentindo mesmo?
Sexta-feira:
Querido diário, estou em pânico. Ele me beijou. Será que conto às minhas irmãs? Estou apaixonada por ele."
Este foi o capítulo mais assistido, "Despertar da Primavera", de um seriado brasileiro feito especialmente para adolescentes de todo Brasil.
Confissões de Adolescentes foi uma obra de Domingos Oliveira que, na época - 1992 a 1998 - era diretor de teatro. O seriado foi passado até pouco tempo na TV
Cultura e foi inspirado pela filha dele, Maria Mariana, de apenas 18 anos de idade. Ela queria publicar o ocorrido na sua adolescência, então, fez um livro - com mais de 100 mil exemplares vendidos - que mostraria as confissões de uma adolescente que não morava com a mãe, somente com o pai e mais quatro irmãs. Já lhe impunha aí a sua linha ideológica. Dá para viver "harmoniosamente" sem a presença materna.
Essa série caracterizou fielmente os muitos conflitos vividos por essas
garotas, de forma mais abrangente, o capítulo em que chocou a todos telespectadores - gravidez na adolescência.
Ao se fazer uma analogia com o folhetim Malhação, ainda é possível ver uma clara e notória cópia do grande sucesso que, por mais "legal" que seja, extravagou o pudor da realidade brasileira.
Hoje, temas relacionados à adolescência têm sido constantes na imprensa. Tanto pela forma apelativa como na forma apraziva. São
inaceitáveis para os pais que pairam na constância da inocência.
Entretanto, entre mortos e feridos, resta-lhe ainda uma maneira mais positiva de se pensar. Muitos adolescentes, dos quais não tiveram educação sobre "tabus", aprendem como se prevenir. Impossível definir decência numa altura dessas, contudo, a
exarcebação da influência contínua pode se tornar, de alguma forma, positiva sobre mentes insaciáveis e férteis.
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