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Passado
de uma nova Era
Larissa Jansson
A trajetória dos jogos eletrônicos é
interessante. O primeiro jogo nasceu em 1960 nos Estados Unidos, fruto da busca de jovens universitários por diversão. De uma idéia simples e despretensiosa passou a ser um gigantesco comércio que hoje, firma-se como o terceiro pilar da indústria do entretenimento, ao lado da música, e desbancando o cinema em faturamento anual. O mercado dos
games é hoje uma grande oportunidade de investimento e retorno garantido atraindo nos últimos anos grandes empresas como Sony e Microsoft, que incrementaram o mercado e acirraram a concorrência.
No Brasil, a chegada dos jogos caseiros e dos fliperamas ocorreu nos anos 80 e consolidou-se até a metade da década seguinte, conhecida como "era dos 16 Bits". Foi um grande acontecimento que marcou de forma profunda e definitiva a indústria do entretenimento nacional, mesmo que durante aqueles tempos os videogames fossem vistos como brinquedos, mentalidade que hoje se mostra totalmente equivocada.
Diferentes emissoras de televisão passaram a exibir programas para o público dos jogadores com dicas sobre os jogos recém-lançados. Até mesmo novelas mostravam suas personagens contracenando enquanto jogavam os
games da época. Todo o esforço valia na tentativa de consolidar a novidade no País.
Até aquele momento o que se podia encontrar sobre jogos eletrônicos na mídia impressa era em revistas sobre computadores, que davam aos jogos dos obsoletos
ataris importância secundária, sem detalhes e poucas páginas. Mas a mudança desse cenário que trouxe para o País videogames e jogos mais avançados fez com que surgimento de revistas que tratassem exclusivamente dos
games e seu universo viessem à tona.
A revista Ação Games era a um suplemento da revista A Semana em Ação, que tratava de esportes e lazer para o público jovem, publicada pela Editora Abril. Estreou na revista em janeiro de 1990, com o nome de A Semana em Ação:
Games. Com o passar do tempo, Semana Em Ação começou a enfrentar problemas e queda nas vendas. Mas seu suplemento de
games se mostraria, mais tarde, uma boa alternativa de investimento.
A Editora Abril decidiu cancelar a revista A Semana Em Ação. Mas a editora Azul se interessou pelo conteúdo dos suplementos publicados e decidiu dar continuidade a ao trabalho lançando uma revista que tratasse somente sobre jogos. Nascia então a
Ação Games - a primeira especializada exclusivamente no mundo dos jogos eletrônicos no Brasil em outubro de 1990.
Durante os dois primeiros anos, Ação Games foi um grande sucesso marcado pelo crescimento do veículo, surgimento de novas seções e a contratação de jornalistas que garantiram qualidade e profissionalismo do veículo. Durante um tempo, a revista foi publicada também na Argentina com o nome de
Action Games.
A revista trazia seções de cartas, para onde os leitores escreviam tirando dúvidas sobre os jogos e
consoles ou ainda, mandando desenhos dos seus heróis e jogos preferidos; publicava notícias sobre as novidades e os fabricantes dos jogos, informações de eventos como feiras e campeonatos nacionais e internacionais; curiosidades, classificados, espaço para a divulgação de recordes dos leitores, além dos clássicos "Detonados" - destaque do mês para jogos recém-lançados, mostrando como chegar ao fim deles passo a passo e da melhor maneira possível. Com o passar do tempo, surgiu a seção "Flashback" que eram republicações de trechos das matérias com dicas dos jogos, então considerados velhos.
Contudo, a majestade da Ação Games foi ameaçada por fatores como concorrência e incompetência. Problemas como flagrante tendenciosidade na publicação de determinadas matérias - a revista
passou a adotar uma linha editorial que favorecia determinada empresa de jogos em detrimento de outra em críticas e em matérias,
deixou muitos leitores insatisfeitos. Soma-se a isso o surgimento de outras publicações com preços mais
acessíveis e de qualidade visivelmente superior, o que desgastou a imagem da revista.
Em 1995, a revista Supergamepower (resultado da fusão da Super Game e Game Power) da editora Nova Cultural arrebatou o título de melhor revista de
games brasileira, devido ao seu maior numero de páginas, profissionalismo e preço, deixando
Ação Games comendo poeira.
A partir daí a revista só decaiu. Empurrada por fatores como o surgimento da internet que disponibilizavam dicas e novidades
gratuitamente e concorrência com melhores preços e conteúdos fizeram que a
Ação Games perdesse cada vez mais espaço. Em dezembro de 2000, a revista foi cancelada após uma tentativa de revitalização fracassada. O último editorial informava que a revista deixaria de ser mensal para aparecer nas bancas em edições especiais de tempos em tempos.
A revista Ação Games encerrou sua história praticamente esquecida por aquelas gerações de jogadores que ajudou a formar. Mas, independentemente das causas que a condenaram ao fracasso, ela sempre terá seu lugar garantido na história da imprensa nacional e no coração dos jovens que vivenciaram o surgimento de uma nova era que mudou para sempre o conceito de diversão.
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