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Adolescentes em pauta

Caroline Ferraz 

Adolescência. Segundo o mini-dicionário Aurélio é o "período da vida humana que começa com a puberdade e se caracteriza por mudanças corporais e psicológicas, estendendo-se, aproximadamente, dos 12 aos 20 anos". Este é um dos mais simples modos de explicar essa fase tão prazerosa da vida. Sai ano, entra ano, e os tais adolescentes continuam teimosos, chatos e "revoltados", mas com uma grande carência de pessoas que as insiram no grupo e estejam dispostas a aceitá-los.

"A mídia influencia nos modos de agir e de pensar, seja entretendo, informando, propagando produtos, imagens ou idéias. Inevitavelmente, acaba fazendo parte dos universos simbólicos de crianças e adolescentes - de sua educação, cultura e lazer". Foi com o intuito de dedicar mais espaço aos direitos infanto-juvenis e aos adolescentes na mídia, a World Summit on Media for Children Foundation criou a Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes que visa "discutir a responsabilidade da mídia, o seu impacto no dia-a-dia das crianças e dos adolescentes e a sua qualidade". 

As primeiras cúpulas foram realizadas na Austrália (1995), Inglaterra (1998) e Grécia (2001). E pela primeira vez, seguindo a seqüência de três em três anos, a quarta cúpula foi realizada em 2004 no Rio de Janeiro, Brasil. A 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes (CMMCA) reuniu cerca de 2.700 pessoas entre profissionais de mídia, professores, pesquisadores, educadores e adolescentes. Durante quatro dias, os profissionais da mídia como produtores, diretores, pesquisadores, entre outros, debateram e analisaram "a mídia produzida para crianças e adolescentes na TV, no rádio, na internet e nos jogos eletrônicos".

Na Carta do Rio (Declaração dos Profissionais e Declaração dos Adolescentes), os adolescentes sentiram a "necessidade de discutir e rever os conceitos sobre a democratização da informação e do uso dos meios de comunicação", e se comprometeram com o cumprimento das propostas, com a mesma paixão que farão quando forem adultos. 

Várias propostas entraram em pauta na quarta cúpula, tais como: regulamentação dos meios de comunicação de massa; ampliação da quantidade, qualidade e diversidade da mídia dirigida a crianças e adolescentes, respeitando-se as especificidades de suas fases de desenvolvimento; financiamento público e privado para a produção de mídia para crianças e adolescentes, entre outros. Examinadas as propostas, os profissionais chegaram à conclusão de que a cúpula "renovou o nosso compromisso na construção da solidariedade e dos valores humanos na mídia".

Os adolescentes concluem, na Carta do Rio, que "no momento em que os adultos reconhecerem o trabalho que fazemos e priorizarem a produção de mídia de qualidade com a participação de crianças e adolescentes, e quando tomarem consciência de que não somos custo, mas investimento, que somos o presente que constrói o futuro, teremos vencido a nossa luta de hoje".