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Uma
bomba de incertezas
Giancarlo Sorvillo
No final da II Guerra mundial, os Estados Unidos lançaram a poderosa bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, destruindo as duas cidades e pondo fim à guerra com a rendição dos japoneses. Emergiram, então, dois blocos no cenário da hegemonia mundial: Estados Unidos representando o capitalismo e a URSS representando o comunismo. Uma intensa guerra econômica, diplomática e tecnológica teve início, cada um procurando conquistar as principais zonas de influência. Foi a famosa Guerra Fria, que iria, definitivamente, esquentar com o maior acidente nuclear de todos os tempos: Chernobyl.
Em 26 de abril de 1986, no reator 4 da usina de Chernobyl, durante uma atividade rotineira em que diversas regras de segurança foram desrespeitadas, a radiação atingiu níveis incontroláveis liberando para atmosfera 400 vezes mais material radioativo do que a bomba de Hiroshima. O incidente que ocorreu a 120 km ao norte de Kiev, Ucrânia, fez com que o governo soviético perdesse muito de sua influência e aumentasse suas barreiras políticas com a Europa. Eles procuraram esconder o acidente da população mundial, porém, o alto nível de radiação foi detectado em boa parte do território europeu, principalmente na França, forçando os russos a esclarecerem o ocorrido.
Apesar da acusação capitalista, seu principal representante também deixou marca nos grandes acidentes nucleares. Em 1979, a usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, Estados Unidos, teve um problema com um de seus reatores que acabou liberando radiação para a atmosfera. Mas, por incrível que pareça, o segundo maior acidente do mundo aconteceu no Brasil, em Goiânia, 1987. Roberto dos Santos e Wagner Mota, dois sucateiros, curiosamente manipularam um aparelho de radioterapia antigo que continha Césio 137, uma substancia parecida com sal de cozinha. Partes do aparelho foram vendidas e o tal "sal" despertou a curiosidade de outros. Das 112.800 mil pessoas que foram monitoradas, 129 apresentaram contaminações e 49 foram internadas juntamente com 21 pessoas que requereram tratamento intensivo.
Fatos como esses de Chernobyl e Goiânia são abordados pelo jornalismo ambiental que divulga fatos, processos, estudos e pesquisas associadas à preservação da natureza. E como um dos papéis do jornalista é "fiscalizar e promover os direitos de liberdade de expressão", esse jornalismo procura conscientizar a população do cuidado que se deve ter com o ecossistema.
O acidente de Chernobyl matou 31 pessoas instantaneamente e provocou a evacuação de mais de 130 mil pessoas da região. Após o acidente surgiram vários casos de
câncer - principalmente de tiróide em crianças. O fechamento da usina é incerto, apesar da pressão internacional, mas a verdade é que se não houver uma atitude de preservar diante de tais fatos, o futuro da existência humana também será duvidoso.
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