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Conscientização
mundial
Paulo Henrique Mondego
Nunca tantos países se uniram em torno de um só objetivo. Nenhuma outra reunião - até a morte do papa João Paulo II - conseguiu juntar tantos presidentes e chefes de Estados - mais de 178 países - para discutirem o processo de degradação ambiental e suas múltiplas conseqüências. Sediada no Rio de Janeiro, em junho de 1992, o mundo acompanhou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ficou conhecida como Eco-92 ou Rio-92.
O objetivo do encontro mundial foi discutir manobras para a erradicação do processo de deterioração do meio ambiente, assim como a perda de florestas, redução da biodiversidade e mudanças climáticas globais, a fim de melhorar a qualidade de vida das populações mais carentes do planeta.
Fazendo jus ao objetivo, aproximadamente 21 mil pessoas participaram do encontro por meio de nove mil organizações não-governamentais (ONGs). As reuniões de chefe de Estado (Cúpula da Terra), e Fórum Global, foram as que mais tiveram a participação do povo.
A Eco-92 foi um evento que proporcionou grande discussão sobre o assunto meio ambiente e sua preservação. Sua importância ganhou dimensões mundiais, gerando debates de grande relevância para a conscientização ecológica da sociedade. Dessa maneira, a conferência embasou eventos como o tratado de Kyoto no Japão, em 1997, no qual a maioria das nações concordou em reduzir as emissões de gases que ameaçam a camada de ozônio - menos os Estados Unidos da América.
Outro avanço que a Rio-92 trouxe, foi a assinatura de um tratado firmado num congresso da ONU em Estocolmo, em 2001,
no qual ficou decidido o controle de 12 substâncias químicas
organocloradas. "Destinada a melhorar a qualidade do ar e da água, a convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes pediu a restrição ou eliminação de oito substâncias químicas como
clordano, DDT e os PCBs".
No entanto, o período logo após a conferência decepcionou muitas pessoas no Brasil e no mundo. A degradação dos recursos biológicos, vastamente discutida nas reuniões, continuou a ocorrer. A Amazônia brasileira, embora ainda conservada em grande parte de sua biodiversidade, continuou vulnerável a mudanças bastante rápidas nos níveis de ocupação e destruição, por causa de políticas de desenvolvimento mal-conduzidas.
Agenda 21
Durante a Eco-92 foram assinados importantes acordos internacionais nas áreas de biodiversidade e de mudanças climáticas, além da aprovação de tratados como a Agenda 21, que seria um plano de ação para os problemas ambientais de aplicação imediata. Ela recebeu esse nome por fazer alusão ao século 21
e as preocupações que ele traz.
Na Agenda 21 ficou decidido que, para salvar o planeta dos problemas ambientais, eram necessários 600 bilhões de dólares em investimentos a médio e longo prazo, além de uma série de metas conjuntas a serem perseguidas pelos países participantes, com apoio da sociedade civil.
"Na primeira parte da Agenda 21, constam recomendações sociais e econômicas. Na segunda parte, têm-se medidas para a conservação dos ambientes naturais. Os pontos de destaque são: o combate ao desmatamento, a conservação da diversidade biológica, a proteção da atmosfera e dos oceanos e a elaboração de formas de intervenção em ambientes muito sensíveis à degradação, visando à minimização dos impactos ambientais. Na terceira parte da Agenda 21, propõe-se a participação das mulheres, das crianças e das comunidades locais nas decisões. A última seção da agenda dispõe formas que viabilizariam as ações sugeridas anteriormente". Hoje, tanto a Eco-92 quanto a Agenda 21 parece que foram esquecidas. Pois o que se vê é a descontrolada devastação de nossas florestas, o contrabando de espécies animais e a usurpação da riqueza vegetal da floresta amazônica por parte de países desenvolvidos. É preciso mais que um tratado mundial para a preservação do planeta, é preciso a conscientização dos mais de
seis bilhões de habitantes do mundo para não morremos entre lixo e poluição.
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