|
|
|
editorial |
especial | debate
| imprensa
em foco|
links
|
mídia eletrônica |
cultura |
perfil |
olho
vivo | canal
do leitor | e-mail |
expediente
| nostalgia
|
anteriores |
próximas edições | inicial
Lulalau
e o lobo mau
Jeanne Moura
Era uma vez um País chamado Brasil. Há pouco tempo, cerca de cinco anos, um juiz envolvido na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo desviou 169 milhões de reais dos cofres públicos. Esse dinheiro foi parar em contas no exterior com a ajuda de uma turma que deu um jeito de passear com parte desse dinheiro fazendo importações fictícias, criação de empresas
offshore - entidade situada no exterior, sujeita a um regime legal diferente - e lavagem de dinheiro. Para tanto, tiveram de lidar com documentos falsos e uma artimanha conhecida como corrupção.
Há quem acredite que os sábios aprendem com os erros dos outros. Os tolos erram, mas pelo menos aprendem. E os idiotas, esses nem errando aprendem. Hoje, o País está diante de um escândalo que não é o primeiro e, aliás, bem parecido com a história do juiz Nicolau dos Santos Neto. Seriam os envolvidos nessa "nova" corrupção classificados como aqueles que não aprendem com os erros dos outros? A questão é: Esses erros anteriores levaram a quê? Se fossem punidos, a população acreditaria numa purificação judicial e dormiria tranqüila confiante que os próximos que se atrevessem a trilhar no caminho da corrupção pagariam o preço pelo seu erro.
O protagonista do escândalo do TRT foi o juiz Lalau, que teve praticamente uma equipe de "espertos" para apararem as arestas e as pegadas desse roubo. O ex-senador Luiz Estevão de Oliveira Neto foi juntamente com o juiz Lalau e essa equipe, acusado de ter cometido crimes de estelionato, peculato, formação de quadrilha e corrupção passiva. E como se não bastasse, essa quadrilha, com exceção do juiz, foi acusada ainda de corrupção ativa e uso de documentos falsos. Um currículo recheado. Mas a lista das punições que de fato se concretizaram não foi assim tão proporcional.
Todo o processo levou em consideração cerca de vinte mil páginas que continham várias informações. Entre elas, declarações de testemunhas, perícias, provas, documentos, decisões e, enfim, a sentença. Tudo assistido pelo povo que se mostrou atento por meio de manifestações públicas que faziam desde passeatas até a gozação dos envolvidos, já bem vividos, diga-se de passagem. O Dr. Casem Mazloum, juiz responsável pelo caso, considerou no processo toda essa "agressão moral", que acabou por fazer parte de uma meia dúzia de benefícios sobre a sentença determinada.
Resumidamente, ou seja, sem as subtrações posteriores, Lalau foi condenado a oito anos de regime semi-aberto, multa de 1,9 milhão de reais e perda de todas as suas propriedades em favor da União. Já depois, houve outra surpresa. Pelo crime previsto no artigo 332 do Código Penal, tráfico de influência, a pena seria de cinco anos de reclusão. Mas como o acusado era um "nobre homem de carreira jurídica", com plena consciência aos 70 anos de idade por ter sido alvo de forte pressão psicológica e moral das manifestações populares, Lalau teve sua pena reduzida para três anos. Além disso, sem a certeza de que haveria "vaga" para recebê-lo na Colônia Agrícola Penal, a cadeia. O réu, Luiz Estevão, foi absolvido da acusação sobre os documentos falsos, já que de acordo o Dr. Mazloum, o Ministério Público Federal não teria apresentado provas.
O que vemos hoje está cercado de expectativa, sobretudo a respeito se justiça vai punir os culpados. Nessa história toda quem seria o lobo mau? Os acontecimentos em vez de esclarecerem de uma vez por todas, parecem cada vez mais confundir ao revelar outras inúmeras facetas da corrupção no Brasil. A população parece estar cansada dessa história toda, alguns até preferem a ignorância deixando de se preocupar com a verdade dos fatos, a ponto de entregar a decisão nas mãos de quem tem o poder.
A indignação não pode ser o lobo mau da história para que não se repita o que já foi visto. A expectativa continua, desta vez, outros países estão na expectativa. Não se sabe até onde o presidente Lula tem envolvimento com tudo isso. Mas, já diria a revista
Veja, "esse Brasil maquia demais seus políticos". A Globo parece que deixa o presidente fora da sujeira. A
Folha de S. Paulo salientou a prudência do presidente. Mas e o povo, o que acha? É preciso pelo menos achar alguma coisa. Para que não se repitam os mesmos fatos encobertos, e a confiança no seu próprio País não os faça crer em sua história como quem crê num conto de fadas.
|
|