editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
mídia eletrônica 
| cultura | perfil | nostalgia
  olho vivo | canal do leitor | e-mail | expediente

anteriores
| próximas edições |
inicial


Sopa de letras

Gilson Nunes

A política está arraigada às bases da sociedade. É por meio do voto que definimos os governantes. "Como nação somos, na maioria das vezes, personalistas e não partidaristas, ou seja, definimos em quem votar pelo perfil de um candidato, e não pelo perfil do seu partido", critica o professor e sociólogo Marcos Eduardo Gomes de Lima.

Essa dificuldade talvez se relacione à gama infindável de partidos políticos. Segundo dados do IBGE, não mais de 3% da população é filiada a partidos políticos. "Uma enxurrada de legendas tende a confundir cada vez mais o eleitor e diminuir sua tão precária confiança no sistema político. Apesar de existir uma conjuntura de maior envolvimento político - proporcionado principalmente pelo voto do analfabeto e facultativo aos maiores de 16 anos -, há uma queda global do interesse pela política partidária. Entre 1982 e 1996, os brasileiros tiveram de escolher candidatos de 76 partidos diferentes", explica o sociólogo Leonardo Araújo e Mota, da Universidade Estadual do Ceará.

Os primeiros partidos políticos brasileiros surgiram no final do período de regência do príncipe dom Pedro. Os dois primeiros partidos foram o Partido Brasileiro e o Partido Português. Eles defendiam a autonomia do Brasil em relação a Portugal. A partir daí, surgiram os Partidos Progressista, Regressista e o Restaurador. Estes partidos evoluíram um pouco mais durante o primeiro reinado e se transformaram, durante as regências, em Partido Conservador e Partido Liberal. Do Partido Liberal nasceram os Liberais Exaltados, que formaram o Partido Republicano junto com os cafeicultores paulistas, e o Partido Republicano Paulista (PRP).

Com o final da 2.ª Guerra Mundial e do Estado Novo houve uma abertura política. Surgiram o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de orientação de Vargas; o Partido Social Democrata (PSD), partido peleguista da burocracia da república varguista; e a União Democrática Nacional (UDN), partido dos capitalistas internacionais.

Estes três partidos foram os protagonistas do cenário político brasileiro de 1946 até 1964. No golpe militar aconteceu à supressão dos partidos no Ato Institucional, que institui o bipartidarismo: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação da ditadura, e o Movimento Democrático Nacional (MDB). Uma oposição comportada, segundo Gomes de Lima.

O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) tinha como objetivo criar condições sociais populistas, sustentação popular nas massas, sobretudo dos trabalhadores. Foi um partido que seguia na rota da industrialização, porém, com o capital nacional. O PSD era um partido formado de latifundiários e burocratas da república. 

A UDN apoiava o desenvolvimentismo internacional, abertura para o capital estrangeiro, investimento na construção de multinacionais, liberação de remessas de lucro e manipulava a taxa cambial de maneira que favorecesse às corporações internacionais, principalmente norte-americanas. A UDN tinha o apoio dos militares.

Para Gomes de Lima, a posição do PTB e da UDN "é dicotômica. Já o PSD era meio híbrido. Participava do governo em quase todas as gestões do período democrático". 
O Brasil perde muito por não ter uma política partidária séria. Uma verdadeira prostituição de partidos políticos, cujos candidatos mudam de partido durante seus mandatos. Diante desse quadro, o que resta para o povo é a dificuldade em se posicionar a favor de um partido político e decifrar os significados de suas siglas. Uma sopa de letras que transforma quase toda uma população em analfabeta.

                   

criação: lisandro staut