editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
mídia eletrônica 
| cultura | perfil | nostalgia
  olho vivo | canal do leitor | e-mail | expediente

anteriores
| próximas edições |
inicial


Comercial à moda nazista

Bruna Marques

Joseph Paul Goebbels foi um dos mais importantes membros do partido nazista na Alemanha. Ele seria o homem responsável em criar uma imagem de Adolf Hitler para transmitir à população. Um marqueteiro.

Vindo de uma família católica e filho de um funcionário da indústria têxtil, nasceu em Rheydt, pequena cidade da Rhineland. Desde cedo se envolveu com a leitura. Vítima de paralisia infantil, esforçava-se para ser o melhor nos estudos. Aos 24 anos já era doutor em Filosofia. Mas tanto conhecimento fez com que se transformasse num homem arrogante e orgulhoso.

Apaixonado pelo discurso nazista, Goebbels passou por terríveis privações entre os intervalos das guerras. Envolvido com os ideais do partido nacional-socialista, tornou-se membro ativo em 1923. Era um dos grandes apaixonados por Hitler. Dono de uma exímia oratória, trabalhou na divulgação do partido e da propaganda doutrinária. Um talento nato.

"1924 - [durante o primeiro comício no qual tomou parte] Alguém lhe gritou: Tu és um explorador capitalista! Então sua raiva despertou. Que é que ele tinha no bolso para motivar um insulto daqueles? (...) Gritou para a assistência: Que o homem que me chamou de explorador capitalista suba a esta tribuna e despeje a carteira. Eu farei o mesmo, para se ver qual de nós tem mais dinheiro. Espalhou suas escassas moedas sobre a mesa e conseguiu triunfar da assistência por este gesto instintivo, que era ao mesmo tempo o batismo de fogo de um agitador político." (Varsóvia Online)

Após a nomeação de Hitler, Goebbels assumiu o Ministério de Informação e Propaganda. Por meio deste órgão comandou com absoluto poder os veículos de comunicação. O cinema e o rádio foram os mais utilizados. Distribuiu por todo o país emissoras - as rádios do povo "Volksempfangänger" - que sintonizavam apenas programações e propagandas nazistas. A imprensa alemã perdeu seu caráter informativo. Em alguns jornais, como o Der Angriff, por exemplo, Goebbels atacava agressivamente os judeus.

Amante da cinematografia e conhecedor do impacto que o cinema causava nas pessoas, utilizou-o de maneira intensa. Ao contrário dos filmes que simplesmente retratavam a glória do ideal nazista sem enredos atraentes, ele produziu filmes voltados ao entretenimento e diversão com a ideologia nazista como pano de fundo.

O filme O Judeu Süss (1940) contava a história de uma ariana que foi abusada sexualmente por um judeu, e esse ameaçava torturar o marido dela, também ariano, caso se recusasse a ceder às suas vontades. Süss era moreno, rico e com fortes traços judaicos. A propaganda foi feita com os temas - traição, fidelidade e coragem.

Na França, quando o filme foi exibido, a população se revoltou cometendo um atentado em massa contra judeus. Por sua genialidade do uso indiscriminado destes meios, Goebbels é considerado o pai da propaganda moderna. Desenvolveu os métodos de simplificação e fácil repetição da mensagem. "As faculdades receptivas das massas são muito restritas e seu raciocínio é débil. Por outro lado, esquecem rapidamente o que se lhe diz. Estes slogans devem ser repetidos persistentemente até que o último dos indivíduos tenha conseguido captar a idéia que lhe foi apresentada."

Mas ele também procurava disseminar a "doutrina nazista" com certo humor - ou ironia. Usando ilustrações, piadas e charges como: "Curva perigosa. Reduza a velocidade. Judeus, 120 quilômetros por hora!"

Se algum membro do partido era ferido ou morto em confrontos com judeus ou integrantes de partidos rivais, o acontecimento era retratado de maneira fatídica, impressionando as mentes e despertando emoções. Isso causava ódio e repúdio contra semitas e opositores do partido nazista.

Em 1943, a Alemanha amargou sua primeira derrota, em Stalingrado, na União Soviética. Após este fato, Goebbels anunciou no Palácio dos Esportes, em Berlim, a Guerra Total contra os Aliados. Conclamou a população a um esforço máximo neste momento decisivo. Decretou que a jornada de trabalho passaria para 60 horas semanais e, ao mesmo tempo, inibiu a prática de esportes e atividades de lazer.

Preservar uma imagem de solidário também era sua preocupação. Diante da intensificação dos ataques da aviação aliada, visitava as cidades mais atingidas levando medicamentos, alimentos e agasalhos.

Após o atentado contra Hitler, em julho de 1944, recebeu o título de Plenipotenciário do Reich para a Guerra Total, tornando-se juntamente com Hitler um dos homens mais poderosos da Alemanha, depois do führer (líder), é claro. Com a derrota eminente devido ao avanço das tropas soviéticas, Goebbels defendeu, por meio de recursos de propaganda que lhe restavam, a tática da terra arrasada.
 
Viveu os últimos dias num esconderijo em Berlim com a esposa e filhos. O mestre da propaganda nazista ainda tentou, com a morte de Hitler, assinar um tratado de paz com os russos. Não aceitou a rendição incondicional exigida por eles. Para esconder sua vergonha e frustração, envenenou os filhos e a esposa, matando-se em seguida.

                   

criação: lisandro staut