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Repórter-propaganda
Caroline
Ferraz
Joelmir José Beting nasceu em Tambaú, em 21 de dezembro de 1936. Aos 7 anos era bóia-fria. Ficou em Tambaú até 1955, quando foi "empurrado" para São Paulo pelo padre Donizetti Tavares de Lima, seu "guru espiritual". Esse lhe animara a seguir carreira de Sociologia e Jornalismo.
Apesar de querer fazer magistério, Joelmir caiu nos braços do jornalismo e ingressou na imprensa esportiva. Fez futebol em jornais como
O Esporte, Diário Popular e na Rádio Panamericana (atual Jovem Pan). Em 1968 foi nomeado editor de Economia
do jornal Folha de S. Paulo. Foi onde teve a oportunidade de lançar sua coluna diária. Tempos depois passou a escrever para
O Estado de S. Paulo.
Joelmir vulgariza sua coluna diária em O Estado de S. Paulo como sendo seu "pau-da-barraca profissional". Ininterrupta até 30 de janeiro de 2004, a coluna causou certa "dorzinha" de cotovelo em grandes nomes do jornalismo. Desde então, a coluna foi interrompida. A que se deve?
Primeiramente porque Joelmir havia sido demitido do jornal O
Globo, onde trabalhava na época.
O fato é que Joelmir aceitou fazer uma publicidade para o Banco Bradesco. Mas, só por isso ele foi demitido? Por causa de uma publicidade? Pasmem, sim! Mas a discussão só iria começar.
Aceitar ou não?
Joelmir aceitou a proposta. Até então, o exercício do jornalismo e a participação
em uma peça publicitária haviam sido criticados pela mídia. Na edição de 16/12/03, o Observatório da Imprensa avaliou o "Caso Joelmir Beting: os justiceiros também pecam" com várias opiniões de jornalistas, que se mostraram divididos. Beting defendeu-se esclarecendo que nunca misturou "jornalismo com publicidade. Assim como jamais misturei jornalismo com minha atividade lateral de palestrante e consultor. Que exerço há mais de 30 anos".
Na mesma ocasião, o jornalista Alberto Dines indagou o porquê da demissão, sendo que, muitas vezes, o jornalista é "obrigado a emitir com a sua chancela pessoal uma mensagem comercial disfarçada, sem qualquer característica de publicidade, no meio da sua cobertura jornalística". Outro artigo do
OI, de Carlos Brickmann, ressalta que se Beting quisesse lucrar com publicidade,
aceitaria as famosas reportagens compradas, como tantos outros já aceitaram. Ao contrário, "fez uma opção aberta: ao ler sua coluna, o cidadão sabe quais são suas fontes de renda, inclusive publicitárias".
O que gerou tamanho conflito, além do motivo do jornalista quebrar regras dos veículos em que trabalhava - sim, pois não existe lei que proíba -, é que o jornalista precisa ter credibilidade para com o público. Supõe-se que aconteça um escândalo envolvendo o Bradesco - o banco em questão -, as pessoas associariam Beting ao escândalo. Com isso, ele perderia sua credibilidade. E junto com ele, os veículos também.
Tanto rebuliço não chegou a lugar algum. Beting continua trabalhando para outros jornais e emissoras. E os jornais que o
demitiram, continuam lucrando com as publicidades. Quem sabe, não com a mesma transparência que o repórter-propaganda Joelmir lucraria. Mas essa já é outra história.

criação: lisandro staut
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