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Era uma vez um império

Gabriel Ferreira

Dizem que o maior poder existente no mundo, não é o bélico, econômico, político ou ideológico, mas sim aquele que domina a informação. Quem controla e manipula o conhecimento no mundo tem poder suficiente para fazer explodir países e colocar favoritos no governo. Visto por este ângulo, pode-se dizer que um dos homens mais poderosos que o Brasil já teve foi Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello - para os amigos, Chatô.

Dono de mais de cem jornais, rádios, e emissoras televisivas espalhadas por todos os estados brasileiros, e pioneiro na implantação da primeira televisão brasileira, Chateaubriand marcou o jornalismo brasileiro. Até hoje, seu império é alvo de estudo e seus feitos estão registrados em folhas impressas, programas televisivos e sites da internet.

A primeira semente lançada foi em outubro de 1924, com a compra de seu primeiro impresso, O Jornal, no Rio de Janeiro. Seguiram-se a ele vários veículos, como os jornais Diário da Noite e Estado de Minas e a revista O Cruzeiro. Chateaubriand não só se interessava pela difusão da informação em sua nação, como também incentivava e apoiava campanhas nacionalistas, visando o desenvolvimento e o progresso do País - e o seu próprio, é bom ressaltar.

Com o tempo, ao ir colecionando jornais, Chateaubriand sentiu a necessidade de criar uma associação que abrangesse todas as suas empresas de comunicação. Para tal, criou a Rede Diários e Emissoras Associados, mais conhecida como Diários Associados. Chatô sabia que faltava à imprensa brasileira uma vertente mais publicitária. Somente com publicidade a população se interessaria pelos meios de comunicação, aumentando grandiosamente o seu capital.

Graças às publicidades e à definitiva implementação com força da imprensa colorida, os impressos vendiam como água. Chateaubriand possuía no mínimo um veículo impresso na maioria das capitais vinculado aos Associados. No Estado de São Paulo, praticamente todos os seus diários tinham três tiragens por dia (manhã, tarde e noite).

Mudanças e preocupações

O alto índice de analfabetismo existente no Brasil parecia não influenciar nas vendas e no desenvolvimento do império chatônico - ou chateaubriônico, deixo à tua escolha. Mesmo assim, Chateaubriand decidiu investir na mídia eletrônica. Em 1935, funda sua primeira emissora de rádio, a Rádio Tupi, e em 1950, a emissora televisiva TV Tupi Difusora, em São Paulo.

A Tupi tinha como concorrente direta a TV Record, fundada em 1950 pelo empresário Paulo Machado de Carvalho, apesar de sua emissão ter sido efetuada somente a 27 de setembro de 1953.

O que Chatô não previa era o surgimento da Rede Globo, um dos principais motivos que contribuíram para a queda de seu império. Roberto Marinho sabia muito bem o que seria necessário fazer para elevar a sua emissora.

Marinho fez da Globo instrumento de apoio e sustento político. Não importava quem estivesse no poder, ou o tipo de governo no poder. A Globo seria o canal transmissor da propaganda ideológica governamental. Em 1959, Chateaubriand, já com algumas dificuldades físicas, decide dividir o controle de suas empresas entre 23 funcionários, tornando-os condôminos. 

Em 1960, Chatô sofre uma trombose cerebral, que o deixa paralisado, quase sem poder falar. Ainda assim, o empresário liderou seus negócios e empresas até não poder mais. Poderíamos culpar os sócios dos Diários Associados por má gestão e péssima distribuição e utilização de verbas, mas as verdades seriam abafadas. A emissora de Marinho, querendo ou não, influenciou demasiado para a falência da mãe das televisões brasileiras. A posição das Organizações Globo face aos governos e seus governantes foi comprovada em 1964 com a ajuda no golpe governamental para fundar a emissora.

Chatô morre a 4 de abril em 1968, aos 75 anos, antes de ver cair suas meninas dos olhos azuis, a revista O Cruzeiro e a TV Tupi, abrirem falência, em 1975 e 1980, respectivamente. Em 1987, é criada a Fundação Assis Chateaubriand com o intuito de promover a educação e os interesses culturais do povo brasileiro.

A falta de profissionalismo dentro do próprio grupo, salários em atraso e greves constantes resultaram no declínio do império de Chateaubriand. Para piorar a situação, em 1978 um incêndio desponta na sede da TV Tupi de São Paulo deixou emissora fora do ar por alguns minutos. Os Diários Associados padeciam com seus novos condôminos, e a falta de liderança mediante a pressão ditatorial, fez com a queda foi inevitável e a falência, a amarga luz no fundo do túnel.

Atualmente, os Diários Associados compõem o sexto maior grupo de comunicações do Brasil. Porém, não são nem sombra do que eram à época de Chateaubriand. O Correio Braziliense e o Estado de Minas são um dos únicos órgãos representativos do grupo em nível nacional. Sinceras condolências.

                   

criação: lisandro staut