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inicial
Foi
por falta de verba
Neanis Lutzer
Em abril de 1952, surgiu uma revista que revolucionaria o mercado das imagens. Seu objetivo era fazer com que até os analfabetos pudessem "ler" os artigos, trazendo uma narrativa visual, independente do texto de suas reportagens. Conseguiu.
Fundada por Adolpho Bloch, a revista Manchete era de alcance nacional, com inovações técnicas e gráficas. Inicialmente, sua produção era baixa, pois a máquina de tipografia tinha capacidade para imprimir somente 200 mil exemplares por semana. Localizada no Rio de Janeiro, a gráfica da revista foi se expandindo, atingindo a produção de 800 mil exemplares semanais.
Em 1956, houve uma mudança na política editorial envolvendo todos os setores de publicações. A intenção era fornecer aos leitores compreensão mais clara dos acontecimentos. Profissionais de peso participaram como jornalistas, redatores e colaboradores, como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Fernando Sabino e muitos outros.
Na primeira edição da revista, a matéria de capa foi "A verdadeira vida amorosa de Ingrid
Bergman". Mas a qualidade da revista não agradou muito a Bloch. Não era muito atraente; o papel inferior, péssima diagramação, e a matéria de capa era a única colorida.
Mas neste mesmo ano, o padrão mudou e a gráfica ganhou nova qualidade. Nahum
Sirotsky, editor-chefe, foi quem acelerou as mudanças, em que estavam envolvidos Alberto Dines, Newton Carlos, Darwin Brandão e muitos técnicos.
O sucesso da Manchete foi tamanho, que ela conseguiu suplantar a
inatingível O Cruzeiro, dos Diários Associados, que acabou
falindo em 1975.
A Manchete era uma revista semanal de entretenimento, que envolvia diversos assuntos desde ciência (pouca abordagem) até a vida de atrizes e políticos (essas sim mereciam várias páginas da revista). As seções eram muitas: comportamento, cinema, teatro, culinária, concursos, viagens de
misses, catástrofes, estrelas de cinema, etc.
Fotos e mais fotos
Esta revista era o principal veículo de comunicação da empresa Bloch, até meados de 2000, e tinha uma capacidade muito grande de atrair leitores leigos sobre qualquer assunto. O motivo? Fotos. Imagens.
Bloch percebeu que a maneira de chamar a atenção de um público que gostava de assistir noticiários era apostar nas imagens. Assim, a revista recorreu ao fotojornalismo e fotorreportagens. Cada vez mais colorida, tudo seria mais fácil, formando um público-alvo de imagens.
A
linguagem da Manchete era atraente. Tanto que as fotografias ocupavam em média 70% de algumas páginas, ou às vezes até páginas inteiras. Em vez de possuir um padrão em que o texto explica as imagens, no inverso, as imagens interpretavam os textos, desde fotos, gráficos, desenhos e quadros inseridos exatamente para facilitar a compreensão dos leitores.
Mas a revista era uma maneira de mostrar o cotidiano das pessoas famosas, trazendo imagens de atrizes, vedetes, bailarinas e modelos. De política, a revista só respeitava a sua, pois a cada seis capas destacando a mulher, um político era o personagem principal.
Seu slogan, "Aconteceu, virou Manchete", se restringia
mais à vida de celebridades do que de assuntos dignos de manchete.
No entanto, o que antes era a revista mais vendida do País, se tornava a
cada semana mais superficial, não agradando assim ao leitor. A Manchete
era mais tão lida. O crescimento da revista Veja ajudou a minar a concorrente. Com a crise na Bloch Editores, e com uma dívida avaliada a 40 milhões de reais, a empresa fecha. Assim se vai mais uma tentativa de agradar ao público com o que eles mais gostam: sensacionalismo.
O que estas revistas compostas de fotos fazem não é nada mais do que atender aos clamores do público. O que as editoras querem é dinheiro. Vendas. O que o povo quer é saber de tudo o que lhe interessa. Juntando o útil ao agradável, tem-se estas revistas. Várias informações, mas pouco conteúdo.
Quem dera a Manchete parasse de circular porque o povo queria ler mais e ver menos. Mas, infelizmente, foi por falta de verba mesmo.
criação: lisandro staut
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