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Faculdade extinta

Vanessa Candia

A Universidade Columbia, de Nova York, sempre foi conhecida por ter um dos melhores - senão o melhor - cursos de Jornalismo. Pioneira no ensino superior de Jornalismo, a faculdade foi inaugurada em 1912, tendo como idealizador o empresário da mídia impressa Joseph Pulitzer.

Pulitzer possuía uma visão capitalista, pragmática, típica do pensamento norte-americano. Assim, a Columbia adotou uma linha totalmente prática. Desde as primeiras aulas, os alunos já eram "jogados" às ruas para apurar as matérias - se conseguissem um furo, ótimo. Com isso, segundo a visão dos coordenadores e professores, os estudantes já aprendiam como era a profissão de um jornalista, de maneira prática e eficaz. Como Pulitzer imaginava: formar uma nova geração de repórteres e editores. Ou será que não?

Qual era a diferença desses alunos para pessoas contratadas pelos jornais em que estagiavam? Pouquíssimas. Os funcionários novatos nos jornais precisavam aprender sua função e acabavam aprendendo e desempenhando, em alguns casos, melhor que um diplomado. Ah, mas a faculdade contava com ótimos professores atuantes da área. Mas, geralmente, os mesmos que ensinavam eram o que trabalhavam no jornal.

Levantada essa dúvida, a Columbia começou a rever a importância do diploma e a qualidade do curso. Sendo que nos Estados Unidos a diplomação não é obrigatória, a universidade decidiu, em 1935, abolir a graduação de Jornalismo e continuar somente com a pós-graduação.

A Columbia criou em 1917 o Prêmio Pulitzer, considerado o mais importante do Jornalismo nos Estados Unidos. Seus alunos estagiavam em diários como The New York Times e revistas Time e Newsweek, o que se tornou um chamariz e mais tarde um problema.

O tempo passou e, devido às exigências de mercado, a Columbia discute a volta da graduação na universidade. Durante este ano, a escolha de um novo reitor e a mudança na grade do extinto curso foi pauta em jornais e faculdades do mundo todo.

O debate discorre porque o presidente Lee Bollinger quer inserir disciplinas teóricas. Pouca coisa, comparando com o nível de teoria existente em grades de outras universidades. Mas em se tratando da Columbia, isso para os professores e alunos - e futuros alunos -, é algo inaceitável.

Bollinger diz que seria importante que o universitário tivesse conhecimento de outras áreas como Direito, Ciências, Artes e disciplinas mais acadêmicas. A proposta é que, com a volta da graduação, a pós-graduação se torne mais científica - o que também não acontece. Inserindo um pouco de teoria na graduação, sem dispensar a prática, os alunos estariam mais bem preparados para a pós e um mestrado.

Como não podia ser diferente, a Columbia caiu na velha e eterna discussão: prática versus teoria. Enquanto isso, não é possível saber se o jornalista realmente pratica a teoria ou se a teoria se faz presente na prática.

                   

criação: lisandro staut